Gestão Escolar: A importância do Planejamento Participativo para uma Gestão Democrática

Ter, 02 de abril de 2013

Atualmente, os princípios democráticos e de participação dos cidadãos nas decisões que envolvam suas necessidades são recorrentes e percebidos nas mais diversas áre

RESUMO

Atualmente, os princípios democráticos e de participação dos cidadãos nas decisões que envolvam suas necessidades são recorrentes e percebidos nas mais diversas áreas.

No contexto da educação, principalmente através da elaboração do Planejamento Participativo, a gestão escolar se realiza de maneira democrática, objetivando atender às demandas sociais da comunidade na qual a escola está inserida, pois o processo educativo se dá ligado diretamente a esta contextualização social.

Assim, é preciso compreender conceitos relacionados ao tema e conceber a relevância de uma educação de qualidade para o desenvolvimento social. Através de pesquisa bibliográfica fundamentada em autores reconhecidos, além de análise de artigos disponibilizados através da internet, pretende-se abordar o tema do planejamento participativo como um aliado da gestão escolar de qualidade.

 

Palavras-chave: Escola. Gestão. Planejamento Participativo.

 

 

Introdução

 

O presente estudo tem como tema a importância do Planejamento Participativo para a realização de uma Gestão Escolar democrática. Neste sentido, o objetivo principal é proporcionar a compreensão sobre a importância de uma gestão escolar pautada em princípios democráticos, utilizando o instrumento do Planejamento Participativo como viabilizador desta democracia.

Para que este tema seja devidamente compreendido, serão discorridos também conceitos como gestão, democracia e planejamento participativo, de modo amplo, objetivando aplicá-los ao assunto aqui abordado. Trata-se de um apanhado de informações relevantes para que se compreenda a gestão democrática como um processo atual e relevante para a sociedade.

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Escolheu-se esta abordagem por verificar a relevância dos processos participativos para a garantia da democracia na sociedade, especialmente relativas ao setor público. Neste sentido, o direito à educação, garantido constitucionalmente, encontra-se em destaque no campo da gestão escolar democrática, como iniciativa de conscientização de toda a comunidade na busca pela equidade social.

Para que tal tema seja analisado de maneira adequada, este artigo se divide em quatro momentos. O primeiro momento dedica-se a permear breves considerações sobre a educação no contexto histórico, iniciando com a influência da Igreja Católica até os dias atuais, onde o interesse da população deve ser priorizado com fins à implantação da democracia plena.

Importante ressaltar que, durante longo período, a educação popular fora realizada de modo absolutamente insignificante, passando a integrar o rol de preocupações sociais apenas a partir do século XIX, culminando com a premissa atual de que a educação é um direito de todos, garantido constitucionalmente.

O segundo momento se dedica à compreensão de conceitos importantes para este estudo, como democracia, gestão escolar e planejamento participativo, analisados, sob sua forma ampla, também sob a ótica da administração, tendo em vista a sua aplicabilidade em todos os setores.

Democracia, enquanto governo do povo, significa realizar a governança de modo a garantir as necessidades individuais e coletivas dos cidadãos, participantes ativos do processo social. A questão da gestão implica no modo de gerir uma empresa ou, neste caso, uma instituição de ensino, de modo a garantir uma educação plena e de qualidade.  Já o planejamento participativo só faz reiterar a importância da participação popular em uma sociedade democrática.

A seguir, será tratado o tema específico da gestão democrática, sendo abordada sua relevância para o contexto atual da educação, tendo por premissa o atendimento das demandas sociais oriundas da comunidade na qual a escola está inserida, objetivando atender as necessidades da população escolar.

Gerir democraticamente a escola significa dar ouvidos às demandas da comunidade escolar, contando, para isso, com a participação efetiva de todos os envolvidos no processo. Assim, surge, na última parte deste estudo, a figura do Planejamento Participativo aparece como instrumento de uma gestão escolar pautada na democracia, onde representantes dos mais diversos grupos se envolvem na construção de um plano a ser seguido no decorrer da prática docente.

 

1. Uma breve história da educação

            O início da educação no Brasil, de acordo com Gonçalves (2011, pgs. 66-7), se deu no século XVI, originando-se com o descobrimento do país, por parte dos portugueses, e a imposição da educação jesuíta aos indígenas. Conforme a autora, havia, na época, a compreensão de que povos como os índios brasileiros eram atrasados e selvagens, comparados aos povos europeus.

Arcanjo e Hanashiro (2010, pg. 29) colocam que, na cultura indígena, a escrita não existia por não ser considerada necessária, pois as crianças eram ensinadas pelos próprios pais e avós, através da fala e da visualização. A noção de educação dos indígenas era diferente da do restante do mundo, que envolvia a leitura e a escrita de línguas. Era uma educação baseada na sobrevivência e na boa convivência.

Outro traço que diferenciava a educação indígena da educação imposta pelos jesuítas (com origem européia) era o fato de que, esta última, se utilizava de marcas repressivas, ou seja, regras e castigos impostos de forma autoritária pelos educadores. Assim, os conhecimentos eram repassados de maneira repressiva, autoritária, havendo a predominância do conhecimento sobre a efetiva compreensão do que se pretendia aprender.

Promoveram-se, então, movimentos de educação e catequização junto ao povo indígena, no intuito de promover a civilização e a salvação das almas. Acreditava-se que somente aqueles que temiam a Deus e estivessem ligados diretamente ao Catolicismo eram dignos da salvação divina. Ampliou-se, assim, o número de cristãos católicos, culminando com o crescimento da influência e poder da Igreja Católica.

 

Por mais de dois séculos a educação jesuítica predominou na colônia, uma vez que não havia interesse da metrópole em criar um sistema educacional no Brasil. Aos poucos, porém, os jesuítas começaram a ser vistos como um incômodo para Portugal, a partir da reflexão e do debate a respeito da educação não religiosa iniciados na Europa. (Gonçalves, 2011, pg. 68)

 

            Entretanto, é importante ressaltar que os jesuítas não foram os únicos religiosos a se dedicarem à educação, no Brasil. Conforme Paiva (2003, pg. 67), os franciscanos, por exemplo, também se preocupavam com a conversão dos indígenas. Todo o ensino era, portanto, entregue aos religiosos até o final do século XVII, onde passa a existir uma educação "oficial", ou seja, padronizada de acordo com os interesses vigentes, interesses estes dos colonizadores e interessados na extração de riquezas do Brasil.

A partir de então, o método de ensino necessitava atender às exigências da época: o pensamento liberal, iniciando-se as ofertas de escolarização também através da esfera privada. Entretanto, houve conflitos entre a educação estatal e a privada, chegando esta última a ser veementemente combatida.

Bruel (2010, pg. 22) coloca que fora a partir do século XVIII, principalmente no século XIX, que se consolidou a defesa da existência de uma escola pública gratuita, universal, obrigatória e laica. A partir do século XIX, com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, muitas foram as mudanças culturais estabelecidas, culminando com uma nova proposta de educação a ser desenvolvida.

 

Parte da ação educativa desse período derivou da necessidade de formação de indivíduos para a administração do Reino, no Rio de Janeiro. Houve a criação de cátedras e instituições culturais e educacionais, com ênfase no ensino superior. Por outro lado, as iniciativas de escolarização primária foram praticamente nulas, limitadas às escolas de ler e escrever. (Gonçalves, 2011, pg. 80)

 

Percebe-se, portanto, que o objetivo primordial destas diretrizes educacionais era reverter estes conhecimentos para o próprio Reino, prevalecendo a oferta de ensino para aqueles que pudessem ser “úteis” ao governo. Desta maneira, outro tipo de educação, como a alfabetização, por exemplo, não encontrava espaço adequado para o seu desenvolvimento.

Neste contexto, a educação oferecida nas comunidades colonizadas por imigrantes, principalmente alemães e italianos, como no caso do Rio Grande do Sul e especificamente do município de Ijuí, passava a desempenhar papel importante.

 

Os estudos que tratam da imigração alemã no Rio Grande do Sul são praticamente unânimes no entendimento de que para estes imigrantes a escola era tema prioritário, que ela não poderia ser tratada de forma isolada. Fazia parte essencial de um projeto mais amplo, na perspectiva da restauração, promovendo-se toda uma rede de associações religioso-culturais para dinamizar a vida dos imigrantes. (Kreutz, 2001, pg. 120)

 

Isto se deve ao fato da maioria dos imigrantes ser oriunda de "um contexto histórico-cultural de profundas lutas e tensões" (Kreutz, 2001, pg. 120), culminando com a luta pelo seu próprio espaço em terras estrangeiras, além de ver garantida sua dignidade e melhoria da qualidade de vida, o que só era possível a partir de uma educação que correspondesse aos seus anseios.

Antes da proclamação da República, pouco se investia, no Brasil, na criação e ampliação de escolas que ofertassem ensino público. Estas se concentravam nos grandes centros urbanos da época. A maior parte do atendimento era feita pela iniciativa privada, em sua maior parte, relacionada à Igreja Católica, conforme o ensinamento de Bruel (2010, pg. 89).

Durante este período, portanto, a maior parte dos indivíduos permanecia analfabeta, tanto por residirem em municípios distantes da capital e não haverem modo de se deslocarem até ela, quanto por não possuírem os recursos financeiros necessários para arcar com as despesas de uma educação privada, na maior parte das vezes oferecida através da Igreja Católica.

Para Paiva (2003, pgs. 36-7), ainda no século XIX, difundiram-se entre a intelectualidade as idéias relativas à importância da educação do povo como fator capaz de contribuir para o progresso do país. Finalmente, a população era vista como uma peça importante ao desenvolvimento. Entretanto, somente a partir do século XX, efetivamente, estas idéias passaram a se transformar em ações.

A partir de então, passava a ser implantado um novo sistema de ensino no Brasil, com a preocupação de estender o acesso à escolarização para um número cada vez maior de cidadãos. Tratava-se, portanto, de um sistema baseado no que atualmente é um dos princípios constitucionais básicos: o acesso à educação como direito de todos. Um dos fatores importantes para esta implantação fora o êxodo rural, aumentando significativamente o crescimento das zonas urbanas e necessitando de atenção especial a esta nova realidade.

Conforme Kreutz (2001, pgs. 139-40), a elite política brasileira apontava a escola pública do século XVIII, nos Estados Unidos, como exemplo e esteio para a formação nacional. Assim, a partir da década de 20, passou-se a pensar a nação brasileira, estabelecendo ideais e espaços para o público. Neste sentido, a escola possuía papel fundamental, pois era a partir dela que se "criava" a nação.

De fato, não é possível pensar a escola na atualidade senão como a “criadora” de uma nação, ou seja, onde nascem identidades e indivíduos capazes de escrever sua própria história e também, capazes de transformar a própria sociedade. É na escola que se formam as identidades e que se desenvolvem conhecimentos importantes para a evolução social.

No decorrer da primeira metade do século XX, principalmente a partir da Primeira Guerra Mundial, passaram a ser desenvolvidas ações significativas no contexto da educação, conforme Paiva (2003, pg. 47). Estas ações estavam ligadas ao nacionalismo, ou seja, ao sentimento de desligamento do país em relação aos seus colonizadores, o que incluía o processo educacional, herdado dos imigrantes.

A partir da década de 40 a educação popular, ou “educação para todos”, passou a ser incluída das discussões políticas mais importantes. O analfabetismo e a falta de oportunidades de educação passaram a ser problemas, tanto para os indivíduos quanto para a própria sociedade, devido à necessidade de escolaridade para acompanhar as evoluções sociais e tecnológicas do momento.

Nesta época, também, passa-se a falar na educação voltada para os adultos, ou seja, aqueles que não desfrutaram de condições educacionais adequadas no decorrer infância e juventude. De acordo com Paiva (2003, pg. 58), a educação de adultos começa a ganhar relevância com a criação do Fundo Nacional do Ensino Primário, em 1942, com a dotação de 25% de seus recursos para a alfabetização e educação da população adulta analfabeta.

A escola passou a ser compreendida como instituição fundamental no esforço de moralizar e civilizar a população do país e de se estabelecer uma ordem social necessária ao progresso (Gonçalves, 2011, pg. 107). Esta nova postura culminou no sistema de ensino atual, baseado em premissas constitucionais e a participação das comunidades na determinação de prioridades a serem observadas.

 

2. ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES

 

2.1. Democracia

 

A palavra democracia possui origem grega, formada a partir dos vocábulos "demos" (povo) e "kratos" (governo). Logo, abstrai-se que se trata de um "governo do povo" ou, ainda, um governo baseado na participação popular, onde cada indivíduo possui importância frente às decisões e às transformações da sociedade onde está inserido.

 

A importância da democracia, nunca é demais sublinhar, é decisiva para a construção de uma sociedade baseada na liberdade e na igualdade de oportunidades para todos os seus membros. (Rosenfield, 2003, pg. 7)

 

De fato, o principal objetivo de uma sociedade democrática é a garantia de direitos individuais e coletivos, que possibilitem aos indivíduos uma existência digna e pautada na amplitude de oportunidades.

Conforme Fulgêncio (2007, pg. 193), a democracia designa um modo de vida numa sociedade em que se acredita que cada indivíduo tem direito de participar livremente dos valores dessa sociedade. Designa, portanto, a oportunidade dos cidadãos de um Estado de participarem livremente das decisões políticas mais específicas, que lhe afetam a vida individual e coletiva.

 

Uma visão otimista da democracia contrasta hoje com certo senso comum, preventivamente pessimista, de uma parte significativa da intelectualidade, que não cansa de reiterar que "a democracia está em crise". [...] A hipótese é que a democracia ao encontrar-se consigo mesma poderia conceber-se como ainda não totalmente democrática. (Rosenfield, 2003, pg. 11)

 

Infelizmente, a realidade social atual evidencia a não observância da democracia como princípio norteador e absoluto da vida em sociedade. Ainda são muitas as desigualdades sociais e inúmeras as situações onde o princípio democrático não se aplica, devido à imposição de vontades de um pequeno grupo social, detentor da maior parte das riquezas do mundo.

A democracia deveria ser, portanto, um sistema político, cuja principal característica é a soberania do povo, além de outras garantias constitucionais, como direitos fundamentais, prevalência da vontade da maioria, limitação dos poderes do Estado, entre outras.

Entretanto, se posiciona Rosenfield (2003), a igualdade de condições, embora seja certamente uma exigência básica para a justiça, estão entre as maiores e mais incertas aventuras da humanidade moderna. Quanto mais iguais são as condições, menos explicação se encontra na sociedade para as diferenças que de fato existem entre as pessoas.

A sociedade é formada pela diversidade, por características que agrupam e distanciam, cada vez mais, as pessoas. A equidade social parece encontrar obstáculos justamente nesta diversidade. O direito às diferenças, garantido constitucionalmente e a repressão a atitudes discriminatórias parecem não ser suficientes para garantir, efetivamente, a isonomia social.

 

 

 

2.2. Gestão e gestão escolar

 

Pensar a democracia é pensar, portanto, a garantia de direitos essenciais aos indivíduos como, por exemplo, o direito à educação, explicitamente garantido na Constituição Federal. Assim, faz-se necessário compreender dois conceitos importantes neste campo: o conceito de gestão, analisado de forma ampla, e a sua aplicação na forma de gestão escolar.

A amplitude do conceito revela que

 

Gestão é a disciplina que torna produtivo os "saberes" de vários campos do conhecimento. É por meio dela que as outras inovações produzem seus efeitos. Gestão começa com uma forma de mentalizar o mundo. Sempre que temos de tomar iniciativas para gerar um resultado precisamos de gestão. (Nóbrega, 2004, pg. 15)

 

Percebe-se, daí, que gerir significa estimular esforços e tarefas na busca de objetivos, de metas específicas. Não é possível levar adiante uma situação se não houver capacidade e discernimento, dos envolvidos, em tomar iniciativas e visualizar a sociedade como um todo, principalmente em se tratando da comunidade escolar e a realidade na qual está inserida.

Desta forma, é importante compreender a administração do setor da educação de modo diferenciado. Assim:

 

A administração da educação, entendida como o conjunto de decisões de interesse da vida escolar, necessita tomar uma nova feição, no sentido da supressão dos processos centralizadores, fragmentados, burocráticos que acabam por reforçar o controle do capitalismo, e partir para decisões embasadas na articulação dos interesses e das concepções diferenciadas dos diversos segmentos sociais. (Hora, 2007, pg. 20)

 

Retoma-se a idéia primordial da democracia, evidenciando a necessidade de ruptura com certos paradigmas, os quais corroboram para que as desigualdades permaneçam presentes na sociedade. É necessário primar pela descentralização e por decisões pautadas na efetiva participação popular, conforme as necessidades de cada segmento social.

Analisando sob o ponto de vista administrativo e pensando a escola como espaço onde são aplicáveis os princípios fundamentais da administração, de modo geral, percebe-se a importância da gestão como forma de funcionamento do espaço educacional, conforme os interesses da comunidade escolar, pautados na igualdade social e na democracia.

Wittmann (2010, pgs. 159-60) coloca duas as funções principais da gestão escolar: função sociopolítica e função pedagógica. A primeira diz respeito à aprendizagem significativa, ou seja, a aprendizagem que efetivamente tenha aplicação no contexto social em que o indivíduo está inserido. Todo o conhecimento repassado e compartilhado necessita ser imbuído de aplicação no decorrer da vida do indivíduo, de modo que seja possível, durante a aprendizagem, que o aluno perceba esta relação entre teoria e prática.

A segunda função, a pedagógica, significa que a proposta educativa deve ser integral, integrada e integrante, ou seja, não se trata de uniformidade, mas sim de haver unidade na diversidade. Assim, a escola necessita ser capaz de incutir princípios éticos e morais naqueles que por ela passam, incentivando o respeito à diversidade e, principalmente, a integração entre as diferenças.

Desta forma, a gestão escolar é colocada como um processo contínuo e coerente à realidade local em que a escola está inserida, devendo ser capaz de integrar a comunidade e atender às demandas educacionais existentes, elaborando uma proposta educativa de qualidade. A escola deve ser espaço de respeito, dignidade e, sobretudo, de formação de identidades pautadas em valores éticos, para que a vida em sociedade possa ser realizada de maneira plena.

 

 

 

2.3. Planejamento e Planejamento Participativo

 

Novamente, se faz importante analisar o planejamento sob a ótica da administração empresarial, pois se trata de um conceito amplo e aplicável a todas as áreas de atuação profissional. Não se pode realizar uma ação e esperar resultados positivos sem que, para isso, haja o mínimo de planejamento e conhecimento das bases reais para atingir os objetivos propostos.

 

O planejamento não está relacionado somente com o presente, mas principalmente com o futuro, pois as decisões que serão tomadas no processo de planejamento estão voltadas para o futuro. [...] Um dos itens de mais destaque no planejamento é o estabelecimento de objetivos e metas. (Koetz, 2009, pg. 71)

 

Traçando-se objetivos e metas é possível visualizar o que se pretende alcançar e analisar o melhor modo de fazê-lo. Ainda, conforme Borba (2004, pg. 1080), o planejamento é o traçado de plano de um empreendimento, a preparação segundo um plano, com estabelecimento de métodos.

Trata-se, portanto, de uma fase primordial para que os objetivos, quais forem, sejam alcançados de modo exitoso. É preciso estabelecer o caminho a ser seguido, formulando estratégias eficazes e proporcionando um norte para a atuação de todos os envolvidos no processo.

Entretanto, é preciso atentar para o fato de que

 

Planejar é muito mais do que elaborar planos e programas. É um processo de reflexão sobe a prática educativa por aqueles que nela estão envolvidos, principalmente pela equipe docente, que tem o desafio de fazer com que os alunos cheguem ao final do curso tendo desenvolvido as competências previstas [...]. (Gonçalves, 2003, pg. 33)

 

Contextualizando o planejamento no campo da educação, percebe-se que se trata de uma área bastante delicada, tendo em vista as características democráticas do processo educacional, como um todo. É preciso promover a igualdade e construir saberes que culminem com a cidadania dos indivíduos e, acima de tudo, que estejam integrados com a realidade social da escola.

Assim coloca Couto (2007), evidenciando que planejar o processo educativo é planejar o indefinido, porque a educação não é um processo cujos resultados podem ser completamente pré-definidos. O planejamento deve ser apenas norteador do processo, e não delimitador, deve adequar-se a cada realidade educativa. São muitas as transformações ocorridas no decorrer do processo e, acima de tudo, são muitas as diferenças sociais, psicológicas, emocionais, existentes por parte tanto do educador quanto do educando.

Neste sentido, surge a importância do planejamento participativo no contexto escolar:

 

O planejamento participativo é uma forma de planejar que envolve todos os atores da ação educativa nas decisões sobre aonde se quer chegar e de que maneira chegar. E, se na sala de aula, o aluno tem a possibilidade de participar das decisões, o resultado, sem dúvida, é outro. (Gonçalves, 2003, pg. 34)

 

Todos os atores devem estar envolvidos no processo de planejamento participativo, pois a atitude de todos deve estar pautada nos interesses sociais do grupo, não havendo espaços para preferências. E educação é direito básico garantido constitucionalmente, não devendo ser visualizada como regalia de uma minoria.

Ainda, para Oliveira (2010), um planejamento participativo é baseado nos princípios democráticos, cuja característica principal é a participação de todos os membros da comunidade escolar nos processos decisórios da escola. Assim, retoma-se a idéia central da democracia como norteadora das ações escolares, num contexto em que a participação de todos é primordial na luta pelo direito à educação de todos.

 

 

 

3. A Gestão Escolar Democrática

 

Através dos conceitos anteriormente elencados, é possível vislumbrar a caracterização de uma gestão escolar democrática:

 

Gestão democrática como princípio constitucional da educação nacional, da organização da escola pública, é manifestação do reconhecimento social do valor universal da democracia. (Bruel, 2010, pg. 64)

 

A democracia deve, portanto, pautar as ações, não somente no contexto escolar, mas sim em toda a sociedade. É preciso promover os conceitos de igualdade e distribuição de renda, de fraternidade e cidadania por todas as comunidades, dentro e fora da escola. Contextualizando a integração das ações, tem-se que

 

As práticas em gestão escolar, inerentes ao próprio movimento pedagógico-didático da escola, são tarefa de todos os agentes envolvidos e demandam compartilhamento. Não são de responsabilidade de uma pessoa. São responsabilidade do conjunto dos agentes, coordenados por uma equipe gestora e órgãos colegiados. (Wittmann, 2010, pg. 132)

 

Assim, percebe-se, de fato, que se tratam de ações compartilhadas, com transferência de conhecimentos e experiências, para que todos os agentes envolvidos na gestão escolar estejam cientes de seu papel e sejam efetivamente capazes de realizar suas tarefas, de acordo com as responsabilidades inerentes ao papel que desempenham no contexto escolar.

Conforme Hora (2007, pg. 49), a gestão democrática em educação está intimamente articulada ao compromisso sociopolítico com os interesses reais e coletivos, de classe, dos trabalhadores, e sua solução está condicionada à questão da distribuição e apropriação da riqueza e dos benefícios que extrapolam os limites de atuação escolar.

De fato, a desigualdade social é um fator relevante em todos os setores da sociedade, pois é determinante da maneira que os indivíduos se utilizam para a convivência em suas comunidades. Solucionar este entrave ou, ao menos, proporcionar melhor qualidade de vida é um pré-requisito para que a educação produza os efeitos desejados.

 

A busca de democratização não se encerra no interior da própria escola. Ela exige a construção de novas relações de poder entre as instituições e os níveis da administração pública, visando à elaboração de sistemas de ensino que reconheçam e respeitem a autonomia das instituições e que valorizem seu papel na elaboração de políticas educacionais universais e democratizantes. (Bruel, 2010, pg. 67)

 

Retomando a questão da democracia, é necessário construir novas relações entre todos os níveis envolvidos no processo educacional. Cada instituição necessita ser investida de autonomia, dentro dos limites possíveis, para que a construção de sua política educacional possa ser valorizada pela própria Administração Pública.

Na definição da escola democrática, conforme Wittmann (2010, pg. 121), o conhecimento visto como objeto do trabalho pedagógico é um processo de ampliação do saber que ocorre pelo confronto do saber que o indivíduo tem, ou da comunidade com o saber escolar ou da humanidade.

Desta forma, é preciso confrontar os conhecimentos para que todas as demandas sejam ouvidas e, efetivamente, se possa construir um projeto educacional pautado nas necessidades e nas possibilidades de cada comunidade escolar. Por fim:

 

A escola como instituição que deve procurar a socialização do saber, da ciência, da técnica e das artes produzidas socialmente, deve estar comprometida politicamente e ser capaz de interpretar as carências reveladas pela sociedade, direcionando essas necessidades em função de princípios educativos capazes de responder às demandas sociais. (Hora, 2007, pg. 34)

 

A escola é espaço privilegiado de atuação profissional, com destaque para a área da educação, em novas identidades são formadas a partir do fornecimento de conhecimento e informações de qualidade. Não basta ensinar a democracia, é preciso viver a democracia. Assim, a figura do Planejamento Participativo passa a ser tratada a seguir, como instrumento democrático da comunidade escolar.

 

 

 

4. O Planejamento Participativo como instrumento de gestão

 

4.1. Caracterização

 

Retomando a questão do planejamento de modo amplo e, de acordo com Hora (2007, pgs. 42-4), os teóricos da administração escolar procuram utilizar-se das teorias de administração de empresas, entendendo que é nelas que se encontra a fundamentação teórica capaz de promover o funcionamento da organização escolar de acordo com as expectativas da sociedade.

Da mesma forma Gonçalves (2003, pg. 29) coloca que de nada adiantaria o domínio dos fundamentos e das técnicas de planejamento se estes não estivessem voltados para orientar políticas de intervenção nos mais diversos campos de ação humana.

Assim, é preciso entender o planejamento como fundamental para garantir que os objetivos propostos sejam atingidos, ao todo ou em parte, conforme a execução das ações efetivamente planejadas. Conforme Vasconcelos (2011), analisar a realidade particular de cada escola, torna-se uma tarefa fundamental no processo de planejamento, pois "problemas" semelhantes não são necessariamente identificáveis, ou seja, o mesmo "problema" deve ser pensado de forma diferente, em distintas realidades escolares.

Pode-se exemplificar com o fato de que uma criança que se demonstra violenta na escola pode ou não ser oriunda de um lar com estas mesmas características. Assim, o desenvolvimento de sua atitude violenta possui raízes diferentes. É necessário, portanto, agir de maneiras diferentes em relação à criança que possui um lar violento e à criança cujas origens não justificam esta situação.

Claramente, o processo de planejamento é composto por algumas fases e, mesmo o planejamento participativo, instrumento da gestão democrática, possui estes momentos, em que é possível analisar o andamento das ações propostas. Vasconcelos (2011) coloca quatro fases distintas e ininterruptas: Planejar, Preparar, Acompanhar e Revisar.

Em um primeiro momento, é preciso planejar o que efetivamente se deseja fazer, elencando os pontos a serem transformados e o que deve ser feito para que tais mudanças aconteçam. A seguir, é preciso preparar os materiais, os recursos e os indivíduos que estarão ligados diretamente neste processo. O acompanhamento significa visualizar, de perto, como o processo está se desencadeando para, na última etapa, propor revisões e mudanças, caso sejam necessárias.

Alguns autores colocam o planejamento educacional de outro modo:

 

Há três grandes momentos no processo de planejamento educacional, que incluem a realização de planos, a execução das ações e a avaliação dos processos e resultados. Um planejamento exige o estabelecimento de um diagnóstico da realidade a que se destina [...]. (Bruel, 2010, pg. 45)

 

Para eles, o principal foco deste tipo de planejamento está na realidade na qual a escola está inserida. Assim, é importante conhecer e diagnosticar as possibilidades existentes na comunidade local, para que o planejamento e, consequentemente, os resultados alcançados, sejam condizentes com as demandas sociais existentes. Para isso, a participação de todos é muito importante.

 

No momento de a escola planejar, as orientações obtidas pelos gestores nas reuniões gerais da rede são essenciais. Elas devem ser compartilhadas com a equipe, que tem ainda de resolver outras questões que dizem respeito somente à escola, como a grade horária das disciplinas, a divisão das turmas e o calendário de atividades do ano. (Monteiro, 2009, pg. 3)

 

No decorrer das atividades gestoras de uma escola, são realizados encontros, referentes aos trabalhos internos da própria escola, com os colaboradores da mesma, além de reuniões e encontros no âmbito da rede municipal na qual a escola está inserida, sendo possível o compartilhamento de experiências e a proposição de soluções para determinados assuntos problemáticos.

Conforme Couto (2007), o planejamento educacional torna-se necessário, tendo em vista as finalidades da educação; mesmo porque, é o instrumento básico para que todo o processo educativo desenvolva sua ação, num todo unificado, integrando todos os recursos e direcionando toda ação educativa. Diagnosticar a realidade significa, portanto, identificar quais as ações a serem executadas para a melhoria da qualidade de ensino e a democratização do saber.

 

O planejamento da educação na esfera das redes de ensino é o instrumento que possibilita a disseminação das políticas públicas educacionais entre os gestores, coordenadores pedagógicos e professores. Esse é o primeiro passo para que as políticas nacionais, estaduais ou municipais sejam incorporadas ao cotidiano escolar. (Monteiro, 2009, pg. 1)

 

Neste sentido, o Planejamento Participativo encontra a sua relevância no contexto educacional. Trata-se da integração das necessidades apontadas por todos os participantes deste processo de gestão: professores, gestores, diretores, alunos e demais funcionários da instituição de ensino.

De acordo com Gandin (2004, pg. 15), o Planejamento Participativo consagra a necessidade de um projeto político, mostra como estruturá-lo e como organizar um processo técnico que lhe seja coerente, além de estabelecer a participação como elemento chave de uso do poder em todos os graus, organizando instrumentos para realizá-la.

Nota-se, portanto, a importância da integração dos instrumentos, estando o Planejamento Participativo ligado ao Projeto Político Pedagógico. Significa dizer que as ações a serem planejadas e executadas devem ser coerentes entre si, além de serem coerentes com a realidade social, conforme colocado anteriormente.

 

Resultante do processo de planejamento surge a necessidade da formulação de um plano. O plano é um instrumento que mostra qual foi o propósito estabelecido pelo planejamento, ele permite programas as atividades e ações para realizar os objetivos estabelecidos no planejamento. (Koetz, 2009, pg. 72)

 

Sem a existência de um plano específico, as ações a serem executadas tornam-se soltas no espaço e no tempo, não sendo direcionadas de maneira correta para que sua execução permita atingir os resultados esperados. É este o significado de um Projeto Político Pedagógico: permitir que haja um documento norteador das ações de todos que se encontram envolvidos no processo educacional.

O principal objetivo do Planejamento Participativo é, portanto, conduzir a instituição e os educadores a definir o rumo que querem tomar, indicando as ações concretas que serão contempladas a fim de alcançar os ideais de transformações traçados.

Conforme Oliveira (2010), o planejamento participativo visa, principalmente, estabelecer prioridades para todos os envolvidos no processo educacional e nada mais é que um ato de cidadania, visto que este processo possibilita a definição do tipo de educação desejada pela instituição escolar. Resta aos participantes deste processo colocarem em prática aquilo que fora planejado, comprometendo-se com a construção de uma nova realidade educacional.

 

 

 

4.2. Buscando a democracia

 

Vasconcelos (2011) coloca que o planejamento escolar não pode ser conduzido de forma autoritária e centralizadora, uma vez que se pretende instituir uma cultura mais democrática e com a participação de todos nos processos desenvolvidos na contexto escolar. Para isso, é importante conceber que uma gestão democrática não pode ser construída sem um planejamento participativo.

Essa descentralização e, consequentemente, a participação de agentes na construção do projeto político pedagógico da escola repercute em ações pautadas na democracia. Além deste fator importante, a relação entre a comunidade escolar e a comunidade social em sua volta necessita ser integrada, observando as reais necessidades do processo educacional. Assim, a organização da sociedade civil é uma das premissas para o sucesso deste processo:

 

Habitualmente, como há maior demanda social do que recursos disponíveis [...], há a necessidade de estabelecer prioridades para a ação do poder público, que tende a atender aos interesses dos grupos que apresentam maior capacidade de pressão. Disso decorre a importância da organização da sociedade civil na afirmação de seus interesses e na participação ativa [...]. (Bruel, 2010, pg. 46)

 

Infelizmente, os recursos públicos não são suficientes para atender às demandas que uma vida social digna implica. Tratam-se, portanto, de escolhas, as quais dependem, e muito, da mobilização social em torno do problema que se pretende solucionar. A partir do momento em que os indivíduos, em suas comunidades, mobilizam-se e demonstram a importância de determinada transformação, o aparelho estatal toma conhecimento deste fato e passa a relacioná-la em sua lista de afazeres. Do contrário, infelizmente, não há como contemplar todas as necessidades sociais de uma única vez.

A importância da educação não consiste, portanto, somente no que se encontra documentado ou na produção de novos documentos. A importância da educação e, principalmente, de uma educação de qualidade, consiste na formação de identidades, na formação de indivíduos capazes de discernir a respeito da justiça e de normas éticas para sua convivência em sociedade.

 

Uma das mais importantes tarefas do professor é orientar e estimular seu aluno a pensar por si, a ser autônomo intelectualmente, a compreender o mundo, a si mesmo e estabelecer sua relação com esse mundo - tendo projetos, cooperando e, ao mesmo tempo, mantendo sua individualidade. (Gonçalves, 2003, pg. 18)

 

Desta forma, cabe ao professor, enquanto peça importante no processo educacional, transmitir conhecimentos e, principalmente, informações que encontrem sua relação na realidade vivenciada pelos educandos para que, estes últimos, sejam capazes de relacionar prática e teoria e construírem sua própria maneira de pensar.

 

 

 

Conclusão

 

Através de vasta pesquisa bibliográfica e o acesso a produções intelectuais disponíveis na internet, fora possível elaborar uma pesquisa coerente com o tema proposto, evidenciando o contexto escolar como local próprio de transformações sociais, desde que haja o envolvimento efetivo, principalmente daqueles que são responsáveis pela gestão do espaço escolar.

A realidade atual da sociedade implica na participação cada vez maior do cidadão nas áreas de seu interesse, seja este interesse individual ou coletivo. Esta participação se dá tanto no sentido de comparecimento a reuniões escolares, em se tratando de comunidade escolar, quanto na participação em audiências públicas, por exemplo, onde são debatidos temas pertinentes a todas as áreas, não somente da educação. Trata-se da cidadania sendo efetivamente exercida, na busca pelos direitos garantidos a todos, constitucionalmente.

O setor da educação, no Brasil, encontra as mesmas dificuldades vivenciadas pelos demais setores importantes para a sociedade, de modo geral. Não há recursos públicos suficientes para suprir toda a demanda de necessidades advinda da sociedade, que clama por uma educação de qualidade. Para tanto, a mobilização dos indivíduos é um fator importante para a concretização de determinadas ações relevantes.

Neste sentido, a participação de diversos representantes sociais no planejamento das ações a serem executadas no contexto escolar, portanto, permite que se atenda às necessidades mais imediatas, através da elaboração de um Planejamento Participativo coletivo, baseado no conhecimento e nas informações coletadas cotidianamente, que cada indivíduo possa compartilhar.

Gerir democraticamente uma escola significa, portanto, conceder espaço a quem tem o que falar e, principalmente, conceder a devida atenção às demandas que se originam na própria sociedade, onde se opera a efetiva convivência. Uma gestão democrática é, por fim, a garantia de que a busca pela educação de qualidade será incessante e que contará com a participação de todos.

 

 

Referências

 

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WITTMANN, Lauro Carlos. A prática da gestão democrática no ambiente escolar. Curitiba: Ibpex, 2010.

 

 

RESUMO

 

Atualmente, os princípios democráticos e de participação dos cidadãos nas decisões que envolvam suas necessidades são recorrentes e percebidos nas mais diversas áreas. No contexto da educação, principalmente através da elaboração do Planejamento Participativo, a gestão escolar se realiza de maneira democrática, objetivando atender às demandas sociais da comunidade na qual a escola está inserida, pois o processo educativo se dá ligado diretamente a esta contextualização social. Assim, é preciso compreender conceitos relacionados ao tema e conceber a relevância de uma educação de qualidade para o desenvolvimento social. Através de pesquisa bibliográfica fundamentada em autores reconhecidos, além de análise de artigos disponibilizados através da internet, pretende-se abordar o tema do planejamento participativo como um aliado da gestão escolar de qualidade.

 

Palavras-chave: Escola. Gestão. Planejamento Participativo.

 

 

Introdução

 

O presente estudo tem como tema a importância do Planejamento Participativo para a realização de uma Gestão Escolar democrática. Neste sentido, o objetivo principal é proporcionar a compreensão sobre a importância de uma gestão escolar pautada em princípios democráticos, utilizando o instrumento do Planejamento Participativo como viabilizador desta democracia.

Para que este tema seja devidamente compreendido, serão discorridos também conceitos como gestão, democracia e planejamento participativo, de modo amplo, objetivando aplicá-los ao assunto aqui abordado. Trata-se de um apanhado de informações relevantes para que se compreenda a gestão democrática como um processo atual e relevante para a sociedade.

­______________________

 

[1] Professora de Educação Infantil, formada em Magistério Nível Médio pela Escola Estadual Guilherme Clemente Koehler. Graduada em Pedagogia pela UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Especialista em Gestão do Trabalho Pedagógico: supervisão e orientação escolar pela FATEC/FACINTER – PR.

[1] Professora de Educação Infantil, formada em Magistério Nível Médio pela Escola Estadual Guilherme Clemente Koehler. Graduada em Pedagogia pela UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Especialista em Gestão do Trabalho Pedagógico: supervisão e orientação escolar pela FATEC/FACINTER – PR.

³ Graduada em Geografia (UPF – RS), Especialista em História Regional (UPF – RS), Especialista em Gestão do Trabalho Pedagógico: Supervisão e Orientação Escolar (FATEC/FACINTER – PR).

 

Escolheu-se esta abordagem por verificar a relevância dos processos participativos para a garantia da democracia na sociedade, especialmente relativas ao setor público. Neste sentido, o direito à educação, garantido constitucionalmente, encontra-se em destaque no campo da gestão escolar democrática, como iniciativa de conscientização de toda a comunidade na busca pela equidade social.

 

 

 

 

 

 

 

 

Para que tal tema seja analisado de maneira adequada, este artigo se divide em quatro momentos. O primeiro momento dedica-se a permear breves considerações sobre a educação no contexto histórico, iniciando com a influência da Igreja Católica até os dias atuais, onde o interesse da população deve ser priorizado com fins à implantação da democracia plena.

Importante ressaltar que, durante longo período, a educação popular fora realizada de modo absolutamente insignificante, passando a integrar o rol de preocupações sociais apenas a partir do século XIX, culminando com a premissa atual de que a educação é um direito de todos, garantido constitucionalmente.

O segundo momento se dedica à compreensão de conceitos importantes para este estudo, como democracia, gestão escolar e planejamento participativo, analisados, sob sua forma ampla, também sob a ótica da administração, tendo em vista a sua aplicabilidade em todos os setores.

Democracia, enquanto governo do povo, significa realizar a governança de modo a garantir as necessidades individuais e coletivas dos cidadãos, participantes ativos do processo social. A questão da gestão implica no modo de gerir uma empresa ou, neste caso, uma instituição de ensino, de modo a garantir uma educação plena e de qualidade.  Já o planejamento participativo só faz reiterar a importância da participação popular em uma sociedade democrática.

A seguir, será tratado o tema específico da gestão democrática, sendo abordada sua relevância para o contexto atual da educação, tendo por premissa o atendimento das demandas sociais oriundas da comunidade na qual a escola está inserida, objetivando atender as necessidades da população escolar.

Gerir democraticamente a escola significa dar ouvidos às demandas da comunidade escolar, contando, para isso, com a participação efetiva de todos os envolvidos no processo. Assim, surge, na última parte deste estudo, a figura do Planejamento Participativo aparece como instrumento de uma gestão escolar pautada na democracia, onde representantes dos mais diversos grupos se envolvem na construção de um plano a ser seguido no decorrer da prática docente.

 

 

 

1. Uma breve história da educação

            O início da educação no Brasil, de acordo com Gonçalves (2011, pgs. 66-7), se deu no século XVI, originando-se com o descobrimento do país, por parte dos portugueses, e a imposição da educação jesuíta aos indígenas. Conforme a autora, havia, na época, a compreensão de que povos como os índios brasileiros eram atrasados e selvagens, comparados aos povos europeus.

Arcanjo e Hanashiro (2010, pg. 29) colocam que, na cultura indígena, a escrita não existia por não ser considerada necessária, pois as crianças eram ensinadas pelos próprios pais e avós, através da fala e da visualização. A noção de educação dos indígenas era diferente da do restante do mundo, que envolvia a leitura e a escrita de línguas. Era uma educação baseada na sobrevivência e na boa convivência.

Outro traço que diferenciava a educação indígena da educação imposta pelos jesuítas (com origem européia) era o fato de que, esta última, se utilizava de marcas repressivas, ou seja, regras e castigos impostos de forma autoritária pelos educadores. Assim, os conhecimentos eram repassados de maneira repressiva, autoritária, havendo a predominância do conhecimento sobre a efetiva compreensão do que se pretendia aprender.

Promoveram-se, então, movimentos de educação e catequização junto ao povo indígena, no intuito de promover a civilização e a salvação das almas. Acreditava-se que somente aqueles que temiam a Deus e estivessem ligados diretamente ao Catolicismo eram dignos da salvação divina. Ampliou-se, assim, o número de cristãos católicos, culminando com o crescimento da influência e poder da Igreja Católica.

 

Por mais de dois séculos a educação jesuítica predominou na colônia, uma vez que não havia interesse da metrópole em criar um sistema educacional no Brasil. Aos poucos, porém, os jesuítas começaram a ser vistos como um incômodo para Portugal, a partir da reflexão e do debate a respeito da educação não religiosa iniciados na Europa. (Gonçalves, 2011, pg. 68)

 

            Entretanto, é importante ressaltar que os jesuítas não foram os únicos religiosos a se dedicarem à educação, no Brasil. Conforme Paiva (2003, pg. 67), os franciscanos, por exemplo, também se preocupavam com a conversão dos indígenas. Todo o ensino era, portanto, entregue aos religiosos até o final do século XVII, onde passa a existir uma educação "oficial", ou seja, padronizada de acordo com os interesses vigentes, interesses estes dos colonizadores e interessados na extração de riquezas do Brasil.

A partir de então, o método de ensino necessitava atender às exigências da época: o pensamento liberal, iniciando-se as ofertas de escolarização também através da esfera privada. Entretanto, houve conflitos entre a educação estatal e a privada, chegando esta última a ser veementemente combatida.

Bruel (2010, pg. 22) coloca que fora a partir do século XVIII, principalmente no século XIX, que se consolidou a defesa da existência de uma escola pública gratuita, universal, obrigatória e laica. A partir do século XIX, com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, muitas foram as mudanças culturais estabelecidas, culminando com uma nova proposta de educação a ser desenvolvida.

 

Parte da ação educativa desse período derivou da necessidade de formação de indivíduos para a administração do Reino, no Rio de Janeiro. Houve a criação de cátedras e instituições culturais e educacionais, com ênfase no ensino superior. Por outro lado, as iniciativas de escolarização primária foram praticamente nulas, limitadas às escolas de ler e escrever. (Gonçalves, 2011, pg. 80)

 

Percebe-se, portanto, que o objetivo primordial destas diretrizes educacionais era reverter estes conhecimentos para o próprio Reino, prevalecendo a oferta de ensino para aqueles que pudessem ser “úteis” ao governo. Desta maneira, outro tipo de educação, como a alfabetização, por exemplo, não encontrava espaço adequado para o seu desenvolvimento.

Neste contexto, a educação oferecida nas comunidades colonizadas por imigrantes, principalmente alemães e italianos, como no caso do Rio Grande do Sul e especificamente do município de Ijuí, passava a desempenhar papel importante.

 

Os estudos que tratam da imigração alemã no Rio Grande do Sul são praticamente unânimes no entendimento de que para estes imigrantes a escola era tema prioritário, que ela não poderia ser tratada de forma isolada. Fazia parte essencial de um projeto mais amplo, na perspectiva da restauração, promovendo-se toda uma rede de associações religioso-culturais para dinamizar a vida dos imigrantes. (Kreutz, 2001, pg. 120)

 

Isto se deve ao fato da maioria dos imigrantes ser oriunda de "um contexto histórico-cultural de profundas lutas e tensões" (Kreutz, 2001, pg. 120), culminando com a luta pelo seu próprio espaço em terras estrangeiras, além de ver garantida sua dignidade e melhoria da qualidade de vida, o que só era possível a partir de uma educação que correspondesse aos seus anseios.

Antes da proclamação da República, pouco se investia, no Brasil, na criação e ampliação de escolas que ofertassem ensino público. Estas se concentravam nos grandes centros urbanos da época. A maior parte do atendimento era feita pela iniciativa privada, em sua maior parte, relacionada à Igreja Católica, conforme o ensinamento de Bruel (2010, pg. 89).

Durante este período, portanto, a maior parte dos indivíduos permanecia analfabeta, tanto por residirem em municípios distantes da capital e não haverem modo de se deslocarem até ela, quanto por não possuírem os recursos financeiros necessários para arcar com as despesas de uma educação privada, na maior parte das vezes oferecida através da Igreja Católica.

Para Paiva (2003, pgs. 36-7), ainda no século XIX, difundiram-se entre a intelectualidade as idéias relativas à importância da educação do povo como fator capaz de contribuir para o progresso do país. Finalmente, a população era vista como uma peça importante ao desenvolvimento. Entretanto, somente a partir do século XX, efetivamente, estas idéias passaram a se transformar em ações.

A partir de então, passava a ser implantado um novo sistema de ensino no Brasil, com a preocupação de estender o acesso à escolarização para um número cada vez maior de cidadãos. Tratava-se, portanto, de um sistema baseado no que atualmente é um dos princípios constitucionais básicos: o acesso à educação como direito de todos. Um dos fatores importantes para esta implantação fora o êxodo rural, aumentando significativamente o crescimento das zonas urbanas e necessitando de atenção especial a esta nova realidade.

Conforme Kreutz (2001, pgs. 139-40), a elite política brasileira apontava a escola pública do século XVIII, nos Estados Unidos, como exemplo e esteio para a formação nacional. Assim, a partir da década de 20, passou-se a pensar a nação brasileira, estabelecendo ideais e espaços para o público. Neste sentido, a escola possuía papel fundamental, pois era a partir dela que se "criava" a nação.

De fato, não é possível pensar a escola na atualidade senão como a “criadora” de uma nação, ou seja, onde nascem identidades e indivíduos capazes de escrever sua própria história e também, capazes de transformar a própria sociedade. É na escola que se formam as identidades e que se desenvolvem conhecimentos importantes para a evolução social.

No decorrer da primeira metade do século XX, principalmente a partir da Primeira Guerra Mundial, passaram a ser desenvolvidas ações significativas no contexto da educação, conforme Paiva (2003, pg. 47). Estas ações estavam ligadas ao nacionalismo, ou seja, ao sentimento de desligamento do país em relação aos seus colonizadores, o que incluía o processo educacional, herdado dos imigrantes.

A partir da década de 40 a educação popular, ou “educação para todos”, passou a ser incluída das discussões políticas mais importantes. O analfabetismo e a falta de oportunidades de educação passaram a ser problemas, tanto para os indivíduos quanto para a própria sociedade, devido à necessidade de escolaridade para acompanhar as evoluções sociais e tecnológicas do momento.

Nesta época, também, passa-se a falar na educação voltada para os adultos, ou seja, aqueles que não desfrutaram de condições educacionais adequadas no decorrer infância e juventude. De acordo com Paiva (2003, pg. 58), a educação de adultos começa a ganhar relevância com a criação do Fundo Nacional do Ensino Primário, em 1942, com a dotação de 25% de seus recursos para a alfabetização e educação da população adulta analfabeta.

A escola passou a ser compreendida como instituição fundamental no esforço de moralizar e civilizar a população do país e de se estabelecer uma ordem social necessária ao progresso (Gonçalves, 2011, pg. 107). Esta nova postura culminou no sistema de ensino atual, baseado em premissas constitucionais e a participação das comunidades na determinação de prioridades a serem observadas.

 

 

 

2. ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES

 

2.1. Democracia

 

A palavra democracia possui origem grega, formada a partir dos vocábulos "demos" (povo) e "kratos" (governo). Logo, abstrai-se que se trata de um "governo do povo" ou, ainda, um governo baseado na participação popular, onde cada indivíduo possui importância frente às decisões e às transformações da sociedade onde está inserido.

 

A importância da democracia, nunca é demais sublinhar, é decisiva para a construção de uma sociedade baseada na liberdade e na igualdade de oportunidades para todos os seus membros. (Rosenfield, 2003, pg. 7)

 

De fato, o principal objetivo de uma sociedade democrática é a garantia de direitos individuais e coletivos, que possibilitem aos indivíduos uma existência digna e pautada na amplitude de oportunidades.

Conforme Fulgêncio (2007, pg. 193), a democracia designa um modo de vida numa sociedade em que se acredita que cada indivíduo tem direito de participar livremente dos valores dessa sociedade. Designa, portanto, a oportunidade dos cidadãos de um Estado de participarem livremente das decisões políticas mais específicas, que lhe afetam a vida individual e coletiva.

 

Uma visão otimista da democracia contrasta hoje com certo senso comum, preventivamente pessimista, de uma parte significativa da intelectualidade, que não cansa de reiterar que "a democracia está em crise". [...] A hipótese é que a democracia ao encontrar-se consigo mesma poderia conceber-se como ainda não totalmente democrática. (Rosenfield, 2003, pg. 11)

 

Infelizmente, a realidade social atual evidencia a não observância da democracia como princípio norteador e absoluto da vida em sociedade. Ainda são muitas as desigualdades sociais e inúmeras as situações onde o princípio democrático não se aplica, devido à imposição de vontades de um pequeno grupo social, detentor da maior parte das riquezas do mundo.

A democracia deveria ser, portanto, um sistema político, cuja principal característica é a soberania do povo, além de outras garantias constitucionais, como direitos fundamentais, prevalência da vontade da maioria, limitação dos poderes do Estado, entre outras.

Entretanto, se posiciona Rosenfield (2003), a igualdade de condições, embora seja certamente uma exigência básica para a justiça, estão entre as maiores e mais incertas aventuras da humanidade moderna. Quanto mais iguais são as condições, menos explicação se encontra na sociedade para as diferenças que de fato existem entre as pessoas.

A sociedade é formada pela diversidade, por características que agrupam e distanciam, cada vez mais, as pessoas. A equidade social parece encontrar obstáculos justamente nesta diversidade. O direito às diferenças, garantido constitucionalmente e a repressão a atitudes discriminatórias parecem não ser suficientes para garantir, efetivamente, a isonomia social.

 

 

 

2.2. Gestão e gestão escolar

 

Pensar a democracia é pensar, portanto, a garantia de direitos essenciais aos indivíduos como, por exemplo, o direito à educação, explicitamente garantido na Constituição Federal. Assim, faz-se necessário compreender dois conceitos importantes neste campo: o conceito de gestão, analisado de forma ampla, e a sua aplicação na forma de gestão escolar.

A amplitude do conceito revela que

 

Gestão é a disciplina que torna produtivo os "saberes" de vários campos do conhecimento. É por meio dela que as outras inovações produzem seus efeitos. Gestão começa com uma forma de mentalizar o mundo. Sempre que temos de tomar iniciativas para gerar um resultado precisamos de gestão. (Nóbrega, 2004, pg. 15)

 

Percebe-se, daí, que gerir significa estimular esforços e tarefas na busca de objetivos, de metas específicas. Não é possível levar adiante uma situação se não houver capacidade e discernimento, dos envolvidos, em tomar iniciativas e visualizar a sociedade como um todo, principalmente em se tratando da comunidade escolar e a realidade na qual está inserida.

Desta forma, é importante compreender a administração do setor da educação de modo diferenciado. Assim:

 

A administração da educação, entendida como o conjunto de decisões de interesse da vida escolar, necessita tomar uma nova feição, no sentido da supressão dos processos centralizadores, fragmentados, burocráticos que acabam por reforçar o controle do capitalismo, e partir para decisões embasadas na articulação dos interesses e das concepções diferenciadas dos diversos segmentos sociais. (Hora, 2007, pg. 20)

 

Retoma-se a idéia primordial da democracia, evidenciando a necessidade de ruptura com certos paradigmas, os quais corroboram para que as desigualdades permaneçam presentes na sociedade. É necessário primar pela descentralização e por decisões pautadas na efetiva participação popular, conforme as necessidades de cada segmento social.

Analisando sob o ponto de vista administrativo e pensando a escola como espaço onde são aplicáveis os princípios fundamentais da administração, de modo geral, percebe-se a importância da gestão como forma de funcionamento do espaço educacional, conforme os interesses da comunidade escolar, pautados na igualdade social e na democracia.

Wittmann (2010, pgs. 159-60) coloca duas as funções principais da gestão escolar: função sociopolítica e função pedagógica. A primeira diz respeito à aprendizagem significativa, ou seja, a aprendizagem que efetivamente tenha aplicação no contexto social em que o indivíduo está inserido. Todo o conhecimento repassado e compartilhado necessita ser imbuído de aplicação no decorrer da vida do indivíduo, de modo que seja possível, durante a aprendizagem, que o aluno perceba esta relação entre teoria e prática.

A segunda função, a pedagógica, significa que a proposta educativa deve ser integral, integrada e integrante, ou seja, não se trata de uniformidade, mas sim de haver unidade na diversidade. Assim, a escola necessita ser capaz de incutir princípios éticos e morais naqueles que por ela passam, incentivando o respeito à diversidade e, principalmente, a integração entre as diferenças.

Desta forma, a gestão escolar é colocada como um processo contínuo e coerente à realidade local em que a escola está inserida, devendo ser capaz de integrar a comunidade e atender às demandas educacionais existentes, elaborando uma proposta educativa de qualidade. A escola deve ser espaço de respeito, dignidade e, sobretudo, de formação de identidades pautadas em valores éticos, para que a vida em sociedade possa ser realizada de maneira plena.

 

 

 

2.3. Planejamento e Planejamento Participativo

 

Novamente, se faz importante analisar o planejamento sob a ótica da administração empresarial, pois se trata de um conceito amplo e aplicável a todas as áreas de atuação profissional. Não se pode realizar uma ação e esperar resultados positivos sem que, para isso, haja o mínimo de planejamento e conhecimento das bases reais para atingir os objetivos propostos.

 

O planejamento não está relacionado somente com o presente, mas principalmente com o futuro, pois as decisões que serão tomadas no processo de planejamento estão voltadas para o futuro. [...] Um dos itens de mais destaque no planejamento é o estabelecimento de objetivos e metas. (Koetz, 2009, pg. 71)

 

Traçando-se objetivos e metas é possível visualizar o que se pretende alcançar e analisar o melhor modo de fazê-lo. Ainda, conforme Borba (2004, pg. 1080), o planejamento é o traçado de plano de um empreendimento, a preparação segundo um plano, com estabelecimento de métodos.

Trata-se, portanto, de uma fase primordial para que os objetivos, quais forem, sejam alcançados de modo exitoso. É preciso estabelecer o caminho a ser seguido, formulando estratégias eficazes e proporcionando um norte para a atuação de todos os envolvidos no processo.

Entretanto, é preciso atentar para o fato de que

 

Planejar é muito mais do que elaborar planos e programas. É um processo de reflexão sobe a prática educativa por aqueles que nela estão envolvidos, principalmente pela equipe docente, que tem o desafio de fazer com que os alunos cheguem ao final do curso tendo desenvolvido as competências previstas [...]. (Gonçalves, 2003, pg. 33)

 

Contextualizando o planejamento no campo da educação, percebe-se que se trata de uma área bastante delicada, tendo em vista as características democráticas do processo educacional, como um todo. É preciso promover a igualdade e construir saberes que culminem com a cidadania dos indivíduos e, acima de tudo, que estejam integrados com a realidade social da escola.

Assim coloca Couto (2007), evidenciando que planejar o processo educativo é planejar o indefinido, porque a educação não é um processo cujos resultados podem ser completamente pré-definidos. O planejamento deve ser apenas norteador do processo, e não delimitador, deve adequar-se a cada realidade educativa. São muitas as transformações ocorridas no decorrer do processo e, acima de tudo, são muitas as diferenças sociais, psicológicas, emocionais, existentes por parte tanto do educador quanto do educando.

Neste sentido, surge a importância do planejamento participativo no contexto escolar:

 

O planejamento participativo é uma forma de planejar que envolve todos os atores da ação educativa nas decisões sobre aonde se quer chegar e de que maneira chegar. E, se na sala de aula, o aluno tem a possibilidade de participar das decisões, o resultado, sem dúvida, é outro. (Gonçalves, 2003, pg. 34)

 

Todos os atores devem estar envolvidos no processo de planejamento participativo, pois a atitude de todos deve estar pautada nos interesses sociais do grupo, não havendo espaços para preferências. E educação é direito básico garantido constitucionalmente, não devendo ser visualizada como regalia de uma minoria.

Ainda, para Oliveira (2010), um planejamento participativo é baseado nos princípios democráticos, cuja característica principal é a participação de todos os membros da comunidade escolar nos processos decisórios da escola. Assim, retoma-se a idéia central da democracia como norteadora das ações escolares, num contexto em que a participação de todos é primordial na luta pelo direito à educação de todos.

 

 

 

3. A Gestão Escolar Democrática

 

Através dos conceitos anteriormente elencados, é possível vislumbrar a caracterização de uma gestão escolar democrática:

 

Gestão democrática como princípio constitucional da educação nacional, da organização da escola pública, é manifestação do reconhecimento social do valor universal da democracia. (Bruel, 2010, pg. 64)

 

A democracia deve, portanto, pautar as ações, não somente no contexto escolar, mas sim em toda a sociedade. É preciso promover os conceitos de igualdade e distribuição de renda, de fraternidade e cidadania por todas as comunidades, dentro e fora da escola. Contextualizando a integração das ações, tem-se que

 

As práticas em gestão escolar, inerentes ao próprio movimento pedagógico-didático da escola, são tarefa de todos os agentes envolvidos e demandam compartilhamento. Não são de responsabilidade de uma pessoa. São responsabilidade do conjunto dos agentes, coordenados por uma equipe gestora e órgãos colegiados. (Wittmann, 2010, pg. 132)

 

Assim, percebe-se, de fato, que se tratam de ações compartilhadas, com transferência de conhecimentos e experiências, para que todos os agentes envolvidos na gestão escolar estejam cientes de seu papel e sejam efetivamente capazes de realizar suas tarefas, de acordo com as responsabilidades inerentes ao papel que desempenham no contexto escolar.

Conforme Hora (2007, pg. 49), a gestão democrática em educação está intimamente articulada ao compromisso sociopolítico com os interesses reais e coletivos, de classe, dos trabalhadores, e sua solução está condicionada à questão da distribuição e apropriação da riqueza e dos benefícios que extrapolam os limites de atuação escolar.

De fato, a desigualdade social é um fator relevante em todos os setores da sociedade, pois é determinante da maneira que os indivíduos se utilizam para a convivência em suas comunidades. Solucionar este entrave ou, ao menos, proporcionar melhor qualidade de vida é um pré-requisito para que a educação produza os efeitos desejados.

 

A busca de democratização não se encerra no interior da própria escola. Ela exige a construção de novas relações de poder entre as instituições e os níveis da administração pública, visando à elaboração de sistemas de ensino que reconheçam e respeitem a autonomia das instituições e que valorizem seu papel na elaboração de políticas educacionais universais e democratizantes. (Bruel, 2010, pg. 67)

 

Retomando a questão da democracia, é necessário construir novas relações entre todos os níveis envolvidos no processo educacional. Cada instituição necessita ser investida de autonomia, dentro dos limites possíveis, para que a construção de sua política educacional possa ser valorizada pela própria Administração Pública.

Na definição da escola democrática, conforme Wittmann (2010, pg. 121), o conhecimento visto como objeto do trabalho pedagógico é um processo de ampliação do saber que ocorre pelo confronto do saber que o indivíduo tem, ou da comunidade com o saber escolar ou da humanidade.

Desta forma, é preciso confrontar os conhecimentos para que todas as demandas sejam ouvidas e, efetivamente, se possa construir um projeto educacional pautado nas necessidades e nas possibilidades de cada comunidade escolar. Por fim:

 

A escola como instituição que deve procurar a socialização do saber, da ciência, da técnica e das artes produzidas socialmente, deve estar comprometida politicamente e ser capaz de interpretar as carências reveladas pela sociedade, direcionando essas necessidades em função de princípios educativos capazes de responder às demandas sociais. (Hora, 2007, pg. 34)

 

A escola é espaço privilegiado de atuação profissional, com destaque para a área da educação, em novas identidades são formadas a partir do fornecimento de conhecimento e informações de qualidade. Não basta ensinar a democracia, é preciso viver a democracia. Assim, a figura do Planejamento Participativo passa a ser tratada a seguir, como instrumento democrático da comunidade escolar.

 

 

 

4. O Planejamento Participativo como instrumento de gestão

 

4.1. Caracterização

 

Retomando a questão do planejamento de modo amplo e, de acordo com Hora (2007, pgs. 42-4), os teóricos da administração escolar procuram utilizar-se das teorias de administração de empresas, entendendo que é nelas que se encontra a fundamentação teórica capaz de promover o funcionamento da organização escolar de acordo com as expectativas da sociedade.

Da mesma forma Gonçalves (2003, pg. 29) coloca que de nada adiantaria o domínio dos fundamentos e das técnicas de planejamento se estes não estivessem voltados para orientar políticas de intervenção nos mais diversos campos de ação humana.

Assim, é preciso entender o planejamento como fundamental para garantir que os objetivos propostos sejam atingidos, ao todo ou em parte, conforme a execução das ações efetivamente planejadas. Conforme Vasconcelos (2011), analisar a realidade particular de cada escola, torna-se uma tarefa fundamental no processo de planejamento, pois "problemas" semelhantes não são necessariamente identificáveis, ou seja, o mesmo "problema" deve ser pensado de forma diferente, em distintas realidades escolares.

Pode-se exemplificar com o fato de que uma criança que se demonstra violenta na escola pode ou não ser oriunda de um lar com estas mesmas características. Assim, o desenvolvimento de sua atitude violenta possui raízes diferentes. É necessário, portanto, agir de maneiras diferentes em relação à criança que possui um lar violento e à criança cujas origens não justificam esta situação.

Claramente, o processo de planejamento é composto por algumas fases e, mesmo o planejamento participativo, instrumento da gestão democrática, possui estes momentos, em que é possível analisar o andamento das ações propostas. Vasconcelos (2011) coloca quatro fases distintas e ininterruptas: Planejar, Preparar, Acompanhar e Revisar.

Em um primeiro momento, é preciso planejar o que efetivamente se deseja fazer, elencando os pontos a serem transformados e o que deve ser feito para que tais mudanças aconteçam. A seguir, é preciso preparar os materiais, os recursos e os indivíduos que estarão ligados diretamente neste processo. O acompanhamento significa visualizar, de perto, como o processo está se desencadeando para, na última etapa, propor revisões e mudanças, caso sejam necessárias.

Alguns autores colocam o planejamento educacional de outro modo:

 

Há três grandes momentos no processo de planejamento educacional, que incluem a realização de planos, a execução das ações e a avaliação dos processos e resultados. Um planejamento exige o estabelecimento de um diagnóstico da realidade a que se destina [...]. (Bruel, 2010, pg. 45)

 

Para eles, o principal foco deste tipo de planejamento está na realidade na qual a escola está inserida. Assim, é importante conhecer e diagnosticar as possibilidades existentes na comunidade local, para que o planejamento e, consequentemente, os resultados alcançados, sejam condizentes com as demandas sociais existentes. Para isso, a participação de todos é muito importante.

 

No momento de a escola planejar, as orientações obtidas pelos gestores nas reuniões gerais da rede são essenciais. Elas devem ser compartilhadas com a equipe, que tem ainda de resolver outras questões que dizem respeito somente à escola, como a grade horária das disciplinas, a divisão das turmas e o calendário de atividades do ano. (Monteiro, 2009, pg. 3)

 

No decorrer das atividades gestoras de uma escola, são realizados encontros, referentes aos trabalhos internos da própria escola, com os colaboradores da mesma, além de reuniões e encontros no âmbito da rede municipal na qual a escola está inserida, sendo possível o compartilhamento de experiências e a proposição de soluções para determinados assuntos problemáticos.

Conforme Couto (2007), o planejamento educacional torna-se necessário, tendo em vista as finalidades da educação; mesmo porque, é o instrumento básico para que todo o processo educativo desenvolva sua ação, num todo unificado, integrando todos os recursos e direcionando toda ação educativa. Diagnosticar a realidade significa, portanto, identificar quais as ações a serem executadas para a melhoria da qualidade de ensino e a democratização do saber.

 

O planejamento da educação na esfera das redes de ensino é o instrumento que possibilita a disseminação das políticas públicas educacionais entre os gestores, coordenadores pedagógicos e professores. Esse é o primeiro passo para que as políticas nacionais, estaduais ou municipais sejam incorporadas ao cotidiano escolar. (Monteiro, 2009, pg. 1)

 

Neste sentido, o Planejamento Participativo encontra a sua relevância no contexto educacional. Trata-se da integração das necessidades apontadas por todos os participantes deste processo de gestão: professores, gestores, diretores, alunos e demais funcionários da instituição de ensino.

De acordo com Gandin (2004, pg. 15), o Planejamento Participativo consagra a necessidade de um projeto político, mostra como estruturá-lo e como organizar um processo técnico que lhe seja coerente, além de estabelecer a participação como elemento chave de uso do poder em todos os graus, organizando instrumentos para realizá-la.

Nota-se, portanto, a importância da integração dos instrumentos, estando o Planejamento Participativo ligado ao Projeto Político Pedagógico. Significa dizer que as ações a serem planejadas e executadas devem ser coerentes entre si, além de serem coerentes com a realidade social, conforme colocado anteriormente.

 

Resultante do processo de planejamento surge a necessidade da formulação de um plano. O plano é um instrumento que mostra qual foi o propósito estabelecido pelo planejamento, ele permite programas as atividades e ações para realizar os objetivos estabelecidos no planejamento. (Koetz, 2009, pg. 72)

 

Sem a existência de um plano específico, as ações a serem executadas tornam-se soltas no espaço e no tempo, não sendo direcionadas de maneira correta para que sua execução permita atingir os resultados esperados. É este o significado de um Projeto Político Pedagógico: permitir que haja um documento norteador das ações de todos que se encontram envolvidos no processo educacional.

O principal objetivo do Planejamento Participativo é, portanto, conduzir a instituição e os educadores a definir o rumo que querem tomar, indicando as ações concretas que serão contempladas a fim de alcançar os ideais de transformações traçados.

Conforme Oliveira (2010), o planejamento participativo visa, principalmente, estabelecer prioridades para todos os envolvidos no processo educacional e nada mais é que um ato de cidadania, visto que este processo possibilita a definição do tipo de educação desejada pela instituição escolar. Resta aos participantes deste processo colocarem em prática aquilo que fora planejado, comprometendo-se com a construção de uma nova realidade educacional.

 

 

 

4.2. Buscando a democracia

 

Vasconcelos (2011) coloca que o planejamento escolar não pode ser conduzido de forma autoritária e centralizadora, uma vez que se pretende instituir uma cultura mais democrática e com a participação de todos nos processos desenvolvidos na contexto escolar. Para isso, é importante conceber que uma gestão democrática não pode ser construída sem um planejamento participativo.

Essa descentralização e, consequentemente, a participação de agentes na construção do projeto político pedagógico da escola repercute em ações pautadas na democracia. Além deste fator importante, a relação entre a comunidade escolar e a comunidade social em sua volta necessita ser integrada, observando as reais necessidades do processo educacional. Assim, a organização da sociedade civil é uma das premissas para o sucesso deste processo:

 

Habitualmente, como há maior demanda social do que recursos disponíveis [...], há a necessidade de estabelecer prioridades para a ação do poder público, que tende a atender aos interesses dos grupos que apresentam maior capacidade de pressão. Disso decorre a importância da organização da sociedade civil na afirmação de seus interesses e na participação ativa [...]. (Bruel, 2010, pg. 46)

 

Infelizmente, os recursos públicos não são suficientes para atender às demandas que uma vida social digna implica. Tratam-se, portanto, de escolhas, as quais dependem, e muito, da mobilização social em torno do problema que se pretende solucionar. A partir do momento em que os indivíduos, em suas comunidades, mobilizam-se e demonstram a importância de determinada transformação, o aparelho estatal toma conhecimento deste fato e passa a relacioná-la em sua lista de afazeres. Do contrário, infelizmente, não há como contemplar todas as necessidades sociais de uma única vez.

A importância da educação não consiste, portanto, somente no que se encontra documentado ou na produção de novos documentos. A importância da educação e, principalmente, de uma educação de qualidade, consiste na formação de identidades, na formação de indivíduos capazes de discernir a respeito da justiça e de normas éticas para sua convivência em sociedade.

 

Uma das mais importantes tarefas do professor é orientar e estimular seu aluno a pensar por si, a ser autônomo intelectualmente, a compreender o mundo, a si mesmo e estabelecer sua relação com esse mundo - tendo projetos, cooperando e, ao mesmo tempo, mantendo sua individualidade. (Gonçalves, 2003, pg. 18)

 

Desta forma, cabe ao professor, enquanto peça importante no processo educacional, transmitir conhecimentos e, principalmente, informações que encontrem sua relação na realidade vivenciada pelos educandos para que, estes últimos, sejam capazes de relacionar prática e teoria e construírem sua própria maneira de pensar.

 

 

 

Conclusão

 

Através de vasta pesquisa bibliográfica e o acesso a produções intelectuais disponíveis na internet, fora possível elaborar uma pesquisa coerente com o tema proposto, evidenciando o contexto escolar como local próprio de transformações sociais, desde que haja o envolvimento efetivo, principalmente daqueles que são responsáveis pela gestão do espaço escolar.

A realidade atual da sociedade implica na participação cada vez maior do cidadão nas áreas de seu interesse, seja este interesse individual ou coletivo. Esta participação se dá tanto no sentido de comparecimento a reuniões escolares, em se tratando de comunidade escolar, quanto na participação em audiências públicas, por exemplo, onde são debatidos temas pertinentes a todas as áreas, não somente da educação. Trata-se da cidadania sendo efetivamente exercida, na busca pelos direitos garantidos a todos, constitucionalmente.

O setor da educação, no Brasil, encontra as mesmas dificuldades vivenciadas pelos demais setores importantes para a sociedade, de modo geral. Não há recursos públicos suficientes para suprir toda a demanda de necessidades advinda da sociedade, que clama por uma educação de qualidade. Para tanto, a mobilização dos indivíduos é um fator importante para a concretização de determinadas ações relevantes.

Neste sentido, a participação de diversos representantes sociais no planejamento das ações a serem executadas no contexto escolar, portanto, permite que se atenda às necessidades mais imediatas, através da elaboração de um Planejamento Participativo coletivo, baseado no conhecimento e nas informações coletadas cotidianamente, que cada indivíduo possa compartilhar.

Gerir democraticamente uma escola significa, portanto, conceder espaço a quem tem o que falar e, principalmente, conceder a devida atenção às demandas que se originam na própria sociedade, onde se opera a efetiva convivência. Uma gestão democrática é, por fim, a garantia de que a busca pela educação de qualidade será incessante e que contará com a participação de todos.

 

 

Referências

 

ARCANJO, Fernanda; HANASHIRO, Midori. A história da educação no Brasil. São Paulo: Biblioteca 24 horas, 2010.

 

BORBA, Francisco. Dicionário UNESP do português contemporâneo. São Paulo: UNESP, 2004.

 

BRUEL, Ana Lorena de Oliveira. Políticas e legislação básica no Brasil. Curitiba: Ibpex, 2010.

 

COUTO, Adna. Resenha crítica do texto: O planejamento educacional numa perspectiva humana. 20 de setembro de 2007. Disponível em http://www.webartigos.com/artigos/o-planejamento-educacional-numa-perspectiva-humana/2320/. Acesso em 27 de outubro de 2011.

 

FULGENCIO, Paulo César. Glossário: Vade Mecum. Rio de Janeiro: Mauad, 2007.

 

GANDIN, Danilo. Planejamento participativo na escola: o que é e como se faz. 3ª ed. São Paulo: Loyola, 2004.

 

GONÇALVES, Maria Helena Barreto. Planejamento e avaliação: subsídios para a ação docente. Rio de Janeiro: SENAC, 2003.

 

GONÇALVES, Nadia G. Constituição histórica da educação no Brasil. Curitiba: Ibpex, 2011.

 

KOETZ, Luciane Soutello. Fundamentos de administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.

 

KREUTZ, Lúcio. Imigrantes e projeto de escola pública no Brasil: diferenças e tensões culturais. In: Sociedade Brasileira de História da Educação (org.). Educação no Brasil: história e historiografia. São Paulo: SBHE, 2001. pgs. 119 - 144

 

HORA, Dinair Leal da. Gestão democrática da escola: artes e ofícios da participação coletiva. 14ª ed. Campinas: Papirus, 2007.

 

MONTEIRO, Paula. Engrenagem da boa educação. 19/01/2009. Disponível em http://educarparacrescer.abril.com.br/gestao-escolar/planejamento-participativo-415753.shtml. Acesso em 31 out 2011.

 

NOBREGA, Clemente. A ciência da Gestão. 2ª ed. Rio de Janeiro: SENAC, 2004.

 

OLIVEIRA, Emanuelle. Planejamento escolar participativo e estratégico. 22/02/2010. Disponível em http://www.infoescola.com/pedagogia/planejamento-escolar-participativo-e-estrategico/. Acesso em 31 out 2011.

 

PAIVA, Vanilda. História da educação popular no Brasil: educação popular e educação de adultos. 6ª ed. São Paulo: Loyola, 2003.

 

ROSENFIELD, Denis. Democracia e Política. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.

 

VASCONCELOS, Maria José Lacerda [et al.] Gestão Escolar: Planejamento participativo e avaliação. Disponível em: . Acesso em 17 de agosto de 2011.

 

WITTMANN, Lauro Carlos. A prática da gestão democrática no ambiente escolar. Curitiba: Ibpex, 2010.

 

 

            

Por Linéia Kromberg Denes- Professora de Educação Infantil, formada em Magistério Nível Médio pela Escola Estadual Guilherme Clemente Koehler. Graduada em Pedagogia pela UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Especialista em Gestão do Trabalho Pedagógico: supervisão e orientação escolar pela FATEC/FACINTER – PR.

Maristela Maurer Mühlbeier-  Professora de Educação Infantil, formada em Magistério Nível Médio pela Escola Estadual Guilherme Clemente Koehler. Graduada em Pedagogia pela UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Especialista em Gestão do Trabalho Pedagógico: supervisão e orientação escolar pela FATEC/FACINTER – PR.

Sônia Raquel Padilha Prestes Mokan -Graduada em Geografia (UPF – RS), Especialista em História Regional (UPF – RS), Especialista em Gestão do Trabalho Pedagógico: Supervisão e Orientação Escolar (FATEC/FACINTER – PR).

 

 

 

 

 

Comentários

  • Suiane Bezerra - Ceilândia (Distrito Federal)
    Enviado Sáb, 17 de agosto de 2013

    Olá, gostaria de receber o texto em pdf.

     

    Seria possível?  Desde já, agradeço.

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