Coordenador Pedagógico: articulador escolar

Dom, 30 de junho de 2013

Foi nas escolas experimentais dos anos 60 que a função do coordenador foi concebida e desenvolvida como suporte técnico ao trabalho pedagógico do professor. Ainda hoje, muitos profissionais não têm total clareza da identidade e delimitação de sua competência na vida escolar.

Por Ana Betine Mueller, Arlete Roggia Jaskulski, Daniela Brissow Fruet, Marivana Silva Rigo, Sidmara Pedroso Blaszak, Sonia dos Santos Sakis, Vera Lúcia Mundstok, Viviane Boff Wielens.*

 

Foi nas escolas experimentais dos anos 60 que a função do coordenador foi concebida e desenvolvida como suporte técnico ao trabalho pedagógico do professor. Ainda hoje, muitos profissionais não têm total clareza da identidade e delimitação de sua competência na vida escolar.

A não definição acaba por favorecer situações de desvios no desenvolvimento do seu trabalho.

Dessa maneira, o coordenador pedagógico é solicitado para qualquer tipo de atividade, cujo mesmo está impossibilitado de desenvolvê-lo, devido á sobrecarga de atividades. (LIMA & SANTOS, 2007, p.82).

Substituir professor que faltou, organizar e agendar os horários de uso da biblioteca, ajudar os funcionários da Secretaria na época da matrícula, controlar entrada e saída dos alunos e ainda conversar com os pais daquele aluno com dificuldades de aprendizagem e/ou convivência .... e, muitas outras tarefas, são hoje exercidas pelo coordenador pedagógico de muitas escolas país afora, mas será esse mesmo o papel que o coordenador deveria exercer dentro da escola? Qual seria, na verdade, o papel do coordenador pedagógico na escola?

O coordenador pedagógico é aquele que está atento à realidade, que é competente para localizar os temas geradores (questões, contradições, necessidades, desejos) do grupo, organizá-los e desenvolvê-los como um desafio para o coletivo, ajudando na tomada de consciência e na busca conjunta de formas de concretizar aquilo que está sendo proposto. É aquele que tem um projeto assumido conscientemente e, pautado nele, é capaz de despertar, de mobilizar pessoas para mudanças e fazer junto o percurso. Em grandes linhas cabe ao coordenador fazer com sua “classe” (seus professores) a mesma linha de mediação que os professores devem fazer em sala de aula: acolher, provocar, subsidiar e interagir.

Cabe também ao coordenador pedagógico ir além do conhecimento teórico, pois ele precisa acompanhar e estimular o trabalho pedagógico e para isso, é preciso percepção e sensibilidade para identificar as necessidades de alunos e professores, mantendo-se sempre atualizado.

É importante que o trabalho ocorra com a colaboração de todos e o coordenador deve estar preparado para mudanças e sempre pronto para motivar sua equipe. É esperado que ele atue como mediador das reflexões sobre a prática, em um contexto de trocas simétricas e acolhida, para ouvir e falar com os professores.

O campo de atuação do coordenador pedagógico é muito amplo, envolvendo atividades relacionadas aos componentes curriculares, aprendizagem e construção do conhecimento, disciplina, ética, avaliação, materiais didáticos e interação com a comunidade.   É necessário que o coordenador esteja consciente de seu papel, da importância da formação continuada e da equipe docente, e manter a parceria entre pais, alunos, professores, direção e técnico-administrativo, sendo indispensável que esse profissional seja escolhido pelo grupo e faça parte da realidade da instituição, conhecendo as expectativas e necessidades do grupo no qual ele está inserido, dentro dos critérios estabelecidos pelo artigo 64 da LDB, de 1996, no qual consta que a formação mínima para a atuação como coordenador pedagógico é Licenciatura em Pedagogia ou Pós Graduação em Gestão Escolar.

Enfim, podemos concluir que o coordenador é um mediador, que promove o diálogo entre todos os segmentos da escola, orienta alunos e respectivas famílias e cria condições para que o trabalho seja coletivo e significativo, visando à construção permanente da prática docente embasada no projeto político-pedagógico, acompanhando e avaliando o processo de ensino-aprendizagem, além de auxiliar o professor na organização de sua rotina de trabalho, organização e seleção de materiais adequados às diferentes situações de ensino e aprendizagem.

Ana Betine Mueller, Arlete Roggia Jaskulski, Daniela Brissow Fruet, Marivana Silva Rigo, Sidmara Pedroso Blaszak, Sonia dos Santos Sakis, Vera Lúcia Mundstok e Viviane Boff Wielens são Professoras da Rede Pública Municipal de Ijuí ( Anos Finais) e Representantes na APMI-SINDICATO no 1º semestre de 2013.

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