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Crônica de um “vira casaca”: Do Grêmio ao Inter - Por Dejalma Cremonese PDF Imprimir E-mail
Ter, 31 de Janeiro de 2012

Hoje, no entanto, por ironia do destino, minha filha de 6 anos torce pelo arquirrival (contrariando a mãe e o pai). Lá vou eu pelas ruas, alegre com minha camisa colorada, de mãos dadas com a pequerrucha vestida com a camisa tricolor... e eu tendo que dar explicações...

Professor Dejalma Cremonese e sua filha Maria Eduarda, cada um com a camisa do seu clube. Ele, colorado, depois de ter sido gremista. E ela, gremista, em que pese os apelos do pai e da mãe Patrícia. Foto: Álbum de Família

 

Lembro-me ainda daquela tarde ensolarada de domingo... Bem ao lado da minha casa interiorana, estava lá, o campinho de futebol, onde toda a gurizada da vizinhança se reunia para as famosas “peladas”.

Bola de couro era uma raridade, mas improvisávamos com bolas de pano (retalhos) ou até mesmo com as bexigas de porco. Alguém lembra?

Chuteiras? Que nada, era pé descalço mesmo. Depois evoluímos para as "congas" (desaprovamos por serem muito deslizantes) e, mais tarde, para os famosos "kichutes" (feitos de lona e tinham cravos que imitavam uma chuteira de verdade).

 

Foram uma verdadeira modernidade os tais “kichutes”, principalmente por evitar as rosetas, no entanto, o mau cheiro era insuportável. Lembro o dia em que o Side e o Dele (meus dois irmãos mais velhos), ficaram tão eufóricos por terem ganhado os tais kichutes que acabaram dormindo calçados com eles (acordaram com os pés inchados).

Bom, contava eu com 6 prá 7 anos na época, lá pelos meados dos anos 70. Não sei por que cargas d´água, mas toda aquela piazada torcia para o Grêmio: o Paulo, o Nito, o Daniel, o Ênio, o Tonho e eu, logicamente. Por infelicidade, nascemos em uma época em que o time do Inter ganhava todos os campeonatos (era dono do Brasil), octacampeão gaúcho, mais o tricampeonato brasileiro.

 

Todos em volta do rádio só ouviam o narrador gritar “goool do Inter” e nomes como Manga, Figueroa, Falcão, Valdomiro. No entanto, aquela tarde fora inesquecível, pois o Tonho (considerado o líder da gurizada), após mais uma conquista colorada, pegou a bola, deu um balão e gritou eufórico: “De hoje em diante eu torço pro Inter”...

 

Não demorou alguns segundos para que cada um de nós gritasse: “eu também torço, eu também...”. Daquele dia até hoje só felicidade, graças ao Tonho, que nos fez “virar a casaca”, sentimos a emoção e o orgulho de torcer por um time que é verdadeiramente um vencedor...

Hoje, no entanto, por ironia do destino, minha filha de 6 anos torce pelo arquirrival (contrariando a mãe e o pai). Lá vou eu pelas ruas, alegre com minha camisa colorada, de mãos dadas com a pequerrucha vestida com a camisa tricolor... e eu tendo que dar explicações...

 

Espero, no entanto, que aconteça a ela o que aconteceu comigo: que, quando ela cresça, possa se dar conta que, time e paixão de verdade só tem um, o mais internacional de todos... o nosso colorado. Pois, assim como os gatinhos, demoramos um pouco para abrir os olhos, mas depois que abrimos...


Dejalma Cremonese é professor universitário tendo atuado muitos anos na Unijuí. Atualmente é professor na UFSM.  Site www.capitalsocialsul.com.br E-mail: dcremoisp@yahoo.com.br Twitter: @cremonese68

Leia também o 13º tópico da Editoria do Curtas e Rápidas: (Clique na manchete)

Curtas e Rápidas de terça-feira, 31 de janeiro



Tarcilio José Hahn - Ijuí (RS)+ 0Enviado Ter, 14 de Fevereiro de 2012
Na minha casa somos em cinco,eu, minha esposa e três filhas, todos gremistas. Mas a última de 11 anos me perguntou: Pai posso ser torcedora do Inter? Sim, pode filha, respondi e pedi para as manas não interferirem na sua decisão, porque torcer é paixão. Maria Eduarda siga com a sua paixão sem influências.
Roberto Schulz - Ijuí (RS)+ 0Enviado Seg, 06 de Fevereiro de 2012
Essa guria é muito inteligente e vai ser muito feliz. Parabéns para ela e que nunca vire de lado, como seu pai influenciado por vitórias e outras pessoas. Parabéns Maria Eduarda, abraços tricolores.
Américo Piovesan - Ijuí (RS)+ 0Enviado Qui, 02 de Fevereiro de 2012
Caro amigo Djalma: tua crônica nos convida a relembrar as escolhas que fizemos na nossa infância. De um lado tem a diversão com isso, ser influenciado pelos familiares para ser gremista ou colorado, de outro, perceber, com o passar do tempo, que essa escolha implica nem sempre ganhar, mas também perder. Tudo na vida é assim, não?

Já que o João Frantz lembrou de nosso livro publicado em 2008, que trata da escolha do time do coração, vou trazer aqui uma sinopse dele, lembrando aos leitores que tiverem curiosidade para conhecer a história do personagem TECO (e a sua escolha por Grêmio ou Inter), e o darem de presente para seus filhos, afilhados, sobrinhos, etc., o livro está à venda nas livrarias de Ijuí.

"Você lembra como escolheu o time do seu coração? E qual foi a sua primeira paixão? Foram escolhas difíceis, feitas com razões bem misteriosas, secretas, pelo coração, não?
Em "Segredos do coração" Teco - o poeta sonhador - vive a aventura de revelar/esconder o nome do seu time de futebol preferido. Na cidade mais doce do mundo, ele guarda segredo de abelha - de algo impenetrável.
É como os segredos da vida, que estão dentro do coração de cada um de nós. Então, vamos viver essa história agora e tomá-la como ponto de partida para outras tantas histórias? É só deixar falar a voz do coração!"
João Frantz - Ijuí (RS)+ 0Enviado Qui, 02 de Fevereiro de 2012
Olá Dejalma. Muito interessante sua crônica. Nosso amigo Américo Piovesan, em seu livro: Teco, o Poeta Sonhador, em Segredos do Coração, trata com “profundeza” essa difícil opção aqui no sul, em especial para as crianças, quando se trata em optar entre Inter ou Grêmio. Aconselho à pequena e simpática menina, Maria Eduarda, que ouça seus pais. Pois, pelos comentários postados, o lobby na família é grande.

Conselho de Pai tem muito valor, foi assim que eu me tornei torcedor do Botafogo de Santo Cristo, muito antes de saber que existia a dupla Grenal. Minha opção pelo Inter se deu em 1979, não tinha como não se tornar colorado. Tri invicto ninguém tem. Mas confesso, nunca esqueci meu primeiro time do coração. O velho pavilhão de madeira, no estádio da baixada em Santo Cristo, não me sai da memória. O grito de guerra ainda hoje ecoa “empurra, empurra, até que o bicho berra, Jesus lá no céu, e Botafogo aqui na terra”.

É importante salientar, meu caro Cremonese, o meu Botafogo, diferente do Fogão do RJ, usava alviverde com a estrela vermelha. A cor da estrela explica tudo. Um grande abraço a vocês. O Vitor manda um beijo à Mª Eduarda.
João Paulo Manfio Manfio - Ijuí (RS)+ 0Enviado Qua, 01 de Fevereiro de 2012
Amigo Dejalma, como vai? Saudades de nossas prosas durante as viagens para o Campus de Santa Rosa. Sua bela crônica retrata minha própria história futebolística. Cansado de ouvir o Grêmio perder na década de 70, e como, por natureza, queremos vencer, em especial, quando somos guris, me tornei colorado no ano de 1975, um pouco antes do glorioso Figueroa com aquela cabeçada dar o título nacional ao Inter sobre o imbatível Cruzeiro no Beira-Rio.

Daí por diante, muitas alegrias e conquistas com o nosso time cada vez mais Internacional. Por felicidade, meus dois filhos me acompanham. Quem sabe, sua filha ainda lhe dará essa alegria. Grande abraço.
Paulo J. C. Fontoura - Ijuí (RS)+ 0Enviado Ter, 31 de Janeiro de 2012
É isto aí Dejalma...INTERNACIONAL, CAMPEÃO DE TUDO!!!...Eles só choram lorotas e não ganham nada a mais de ...quantos anos mesmo??? Coitadinha da menininha, tinha tudo para ser feliz!!!
Dejalma Cremonese - Santa Maria (RS)+ 0Enviado Ter, 31 de Janeiro de 2012
- "Cizico" este título da segundona nós ainda não temos... (nem queremos).

- Estimado amigo João: esqueci de mencionar que meu primeiro time foi o Cruzeiro da Vila Progresso (do Arroio do Tigre), bem perto do Esporte Clube Paleta (da vila Paleta) (arquirrivais). A Maria Eduarda manda abraço pro Vitor (manda ele fazer uma boa poupança...)

- Gurias (Andressa e Juliana) não adianta dar presentes à sobrinha... (isso é chantagem).

- Amigo Nene, Mazembe é passado, só que está na chuva pode se molhar... (e amanhã tem outra decisão...)

- Aos demais comentadores: pessoal é apenas uma crônica, não levem muito à sério a brincadeira. Abraço a todos.
Hilário Barbian - Ijuí (RS)+ 0Enviado Ter, 31 de Janeiro de 2012
Que convivência bonita!!! Parabéns professor Dejalma Cremonese e esposa Patrícia pela bela convivência que deve ser saudada já que mostra a harmonia entre colorados e gremistas. Mas também quero lhe dar os cumprimentos pela bonita crônica que é gostosa de ser ler.

Este dom não era conhecido dos seus alunos e amigos. Quem sabe, o senhor nos brinda com mais história como esta. Afinal, o manejo das palavras não lhe falta. E esta crônica deve ser apenas a primeira de muitas.

Para terminar. Fiquei curioso para ver se sua linda filha vai abrir os olhos com o passar do tempo. Depois vocês me contam. Um abraço.
Luiz Fiorion Menegon - Ijuí (RS)+ 0Enviado Ter, 31 de Janeiro de 2012
Esta menina tem tudo para vencer na vida. Tem personalidade, sabe o que quer, isso é provado pela sua opção gremista. Nem o meio em que vive foi capaz de demovê-la de seu amor de vestir a gloriosa camiseta tricolor, que aliás, é uma das mais belas do mundo, consideradas pelos grandes cronistas esportivos reunidos num programa da EsporTV.

A camiseta do Grêmio pode ser usada em qualquer ambiente social, por apresentar cores leves, bonitas e agradáveis Se eu puder, um dia quero dar a esta menina um forte abraço, e, felicitá-la, por saber, desde pequena, o que quer e o que deseja, sem deixar-se influenciar, nem mesmo pelos seus Pais.

Sinto orgulho de você, como sinto orgulho de pertencer ao nosso imortal tricolor, que brevemente terá o melhor e maior estádio das Américas. Abraços, Luiz Menegon.
Tiago Dobrowinski - Ijui (RS)+ 0Enviado Ter, 31 de Janeiro de 2012
Sr Dejalma, na verdade ela que está certa, mas torcedor vira casaca assim é bom mesmo que nem seja gremista haha (brincadeira).
Rudi Johann - Ijuí (RS)+ 0Enviado Ter, 31 de Janeiro de 2012
CARO AMIGO DEJALMA, SE A GENTE TROCAR DE TIME CADA VEZ QUE UM GANHA E O OUTRO PERDE... VOCÊ DEVERIA TER VOLTADO A SER GREMISTA ATÉ 2006, AÍ VOLTARIA A SER COLORADO, ATÉ O DIA DA MAIOR DERROTA DE UM TIME BRASILEIRO ATÉ HOJE (PARA O MAZEMBE), E HOJE ESTARIA AGUARDANDO PARA VER QUEM GANHARIA ESSE ANO... FUTEBOL É PAIXÃO E NÃO É UMA DERROTA QUE MUDA ISSO, VEM DE DENTRO DA GENTE... CONTINUE GREMISTA, MARIA EDUARDA...
Fernando Bohn - Ijuí (RS)+ 0Enviado Ter, 31 de Janeiro de 2012
Caro Cesar, vale lembrar que o Inter só não caiu para a segundona, porque rolou a mala preta no jogo contra o Paysandu (que jogava apenas para cumprir tabela)...17/11/2002...
Juliana Ferrazza - Ijuí (RS)+ 0Enviado Ter, 31 de Janeiro de 2012
Minha sobrinha vai ser gremista, isso aí minha linda, continue assim!
Andressa Ferrazza - Ijuí (RS)+ 0Enviado Ter, 31 de Janeiro de 2012
Que linda minha sobrinha... Gremistinha...
Édison A. Nascimento - Ijuí (RS)+ 0Enviado Ter, 31 de Janeiro de 2012
Pois é Sr. Dejalma, mas esqueceste que teu time ficou 27 anos sem ganhar nada de relevante... isso é o verdadeiro campeão? Os 2 times são grandes, para orgulho de nós gaúchos, mas sua filha está torcendo para o time que tem a maior e mais vibrante torcida do estado... a torcida que nunca abandona e canta o jogo inteiro. Estamos 10 anos sem títulos grandes... então ainda possuímos 17 de crédito... mas vamos acabar logo com isso. O Grêmio sempre foi o maior time, o mais conhecido, não precisando de campanhas de marketing para isso ou patrocinando minotauros da vida para expor marca... sempre foi no futebol mesmo, isso sim é grande.
Cesar Ferrazza - Ijuí (RS)+ 1Enviado Ter, 31 de Janeiro de 2012
Meu caro genro, a felicidade de vocês, só veio a partir de 2006, porque a partir de 1979 (último título nacional) só o grêmio ganhava, por exemplo: duas libertadores, um mundial, quatro Copas do Brasil, dois brasileiros, uma recopa... está certo que veio o rebaixamento, mas isso
qualquer time pode cair. Muitos times grandes já caíram. Abraços à Maria, que ela continue a ser gremista, que logo vamos voltar a
ganhar tiíulos.
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