A influência da mídia nas atitudes humanas - Por Lino da Rosa Kegler

Ter, 28 de fevereiro de 2012

Censura com amor, censura com explicação dos motivos, não é mal, é bem.

Há certo tempo que não olhava os meus e-mails. Resolvi então esta semana ler e selecionar alguns para iniciar as aulas com meus alunos. Uma em especial chamou- me a atenção. Escrita por Dom Henrique Soares, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Aracajú-SE colocando sua indignação sobre a situação preocupante no Brasil, sobre o nível de programação de nossa televisão.

Sem nenhum controle ético por parte da sociedade, os chamados canais abertos fazem a cabeça dos brasileiros e vão destruindo tudo que encontram pela frente: a sacralidade da família, a fidelidade conjugal, o respeito e veneração dos filhos para com os pais, o sentido de tradição (isto é, saber valorizar e acolher os valores e as experiências das gerações passadas), as virtudes, a castidade, a indissolubilidade do matrimônio, o respeito pela religião, o temor amoroso para com Deus.

Na telinha tudo é permitido, é bonitinho, é novidade, é relativo.A vida é pra gente bonita, sarada, corpo legal.

A vida é sucesso, é romance com final feliz, é amor livre, aberto desimpedido, é vida que cada um faz e constrói como bem quer e entende.

Na telinha tem a Xuxa, a Xuxinha, inocente, com rostinho de anjo, que ensina as jovens o amor liberado e o sexo sem amor, somente pra fabricar um filho.

Na telinha tem o Gugu, que aprendeu com a Xuxa e também fabricou um bebê.

Na telinha tem os debates frívolos do Fantástico, show da vida ilusória.

Na telinha tem ainda as novelas que ensinam a trair, a mentir, a explorar e a desvalorizar a família.

Na telinha tem o show de baixaria do Ratinho e do programa vespertino da Bandeirantes, o cinismo cafona da Hebe, a ilusão da Fama, a casa dos artistas e o atual programa da Globo, o Big Brother. Observe-se como o Pedro Bial, apresentador global, chama os personagens do programa: “meus heróis ou meus guerreiros!”.

Pobre Brasil, que tipo de heróis, que guerreiros. Pessoas absolutamente medíocres e vulgares que são indicadas como modelos para os nossos jovens.

 

E quando se questiona a qualidade da programação e se pede alguma forma de controle sobre os meios de comunicação, as respostas são prontinhas:

1 - assiste quem quer e quem gosta;

2 - a programação é espelho da vida real;

3 - controlar e informação é antidemocrático e ditatorial

Assim, com tais desculpas esfarrapadas, a bênção covarde e omissa de nossos dirigentes dos três poderes e a omissão medrosa das várias organizações da sociedade civil (incluindo a Igreja, infelizmente) vai a televisão envenenando, destruindo, invertendo valores, fazendo da futilidade e do paganismo a marca registrada da comunicação brasileira.

O programa é feito por pessoas reais, como são na vida, é ainda mais triste e preocupante, porque se pode ver o nível humano tão baixo a que chegamos. Uma semana de convivência e a orgia corria solta, os palavrões são abundantes, o prato nosso de cada dia. A grande preocupação de todos (assunto de debates, colóquios e até crises) é a forma física e, pra completar a chanchada, esse pessoal, tranqüilamente dá-se as mãos para invocar Jesus. Quanta gente deve ter ficado emocionada com os “heróis” do Pedro Bial cantando “Jesus Cristo, eu estou aqui”.

Até quando a televisão vai assim? Até quando os brasileiros ficarão calados? Pior ainda, até quando os pais deixarão correr solta a programação televisiva em suas casas sem conversarem sobre o problema com seus filhos e sem exercerem uma sábia e equilibrada censura? Isso mesmo censura. Os pais devem ter a responsabilidade de saber a que programas de TV seus filhos assistem, que sites da internet seus filhos visitam e, assim, orientar, conversar, analisar com eles o conteúdo de toda essa parafernália de comunicação e, se preciso censurar este ou aquele programa.

Censura com amor, censura com explicação dos motivos, não é mal, é bem. Ninguém é feliz na vida fazendo tudo que quer, ninguém amadurece se não conhece limites, ninguém é verdadeiramente humano se não edifica a vida sobre valores sólido e ninguém terá valores sólidos se não aprende desde cedo a escolher, selecionar, buscar o que é belo e bom, evitando o que polui o coração, mancha a consciência e deturpa a razão.

Aqui não se trata de ser moralista, mas uma questão de fazer escolhas e de chamar atenção para uma realidade muito grave que tem provocado danos seríssimos na sociedade. Quem dera que de um modo ou de outro, estas linha de editorial servissem para fazer pensar e discutir e modificar o comportamento e as atitudes de algumas pessoas diante dos meios de comunicação.

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