Caso Bernardo: Juiz e delegada indignam-se com boatos e reafirmam ênfase ao caso

Seg, 14 de abril de 2014

Delegada da Polícia Civil, Caroline Bamberg Machado e o juiz de Direito da Comarca de Três Passos, Fernando Vieira dos Santos, responsável pela Vara da Infância e da Juventude estão focados no Caso Bernardo.

O juiz de Direito da Comarca de Três Passos, Fernando Vieira dos Santos, responsável pela Vara da Infância e da Juventude, concedeu uma entrevista à Rádio Alto Uruguai na manhã de sábado, 12, juntamente com a delegada da Polícia Civil, Caroline Bamberg Machado.

O tema principal tratado na conversa é o caso do desaparecimento do menino Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, que desde o dia 4 de abril não tem seu paradeiro certo, e a atuação do juizado.

Tanto o juiz Fernando, quanto a delegada Caroline, demonstraram indignação com os boatos e informações infundadas que estão sendo divulgadas em redes sociais e em comentários na cidade, inclusive tentando colocar sob suspeição as investigações e a interpretação do Poder Judiciário.

Também comentaram sobre a ação ajuizada pelo Ministério Público, referente a problemas com o menino Bernardo.

Segundo o juiz Fernando, o sistema processual brasileiro determina, a partir de sua Constituição, que o juiz não age sem provocação. Ele precisa ser procurado, precisa ser buscada a jurisdição para que o juiz aja.

“O Poder Judiciário está preocupado, atuante e envolvido neste caso do desaparecimento do Bernardo. Não estamos assistindo a isso nem indiferentes ao que está acontecendo".

 

MP ajuizou ação no início do ano. Nenhum pedido de guarda foi solicitado à justiça

 

Inicialmente, Fernando Vieira dos Santos ratificou informações repassadas pela promotora de justiça da comarca de Três Passos, Dinamárcia Maciel de Oliveira, na sexta-feira.

“O Ministério Público propôs no início deste ano uma ação para tratar dos problemas envolvendo a criança Bernardo Boldrini. Ao tomar conhecimento dos fatos e relatos trazidos, foram tomadas as medidas cabíveis por parte do judiciário e encaminhadas à diferentes esferas, inclusive extra-judiciais, como o Conselho Tutelar e o Ministério Público”.

Fernando confirmou que todas as medidas legais e cabíveis foram tomadas neste caso para esclarecimento dos fatos, para proteção da criança.

“A audiência transcorreu com a presença de todos os interessados, de seus representantes legais, com a presença do Ministério Público. Foram colhidas todas as informações possíveis e a decisão foi fundamentada nos melhores elementos de que dispúnhamos na época”.

Para o juiz da infância e da juventude, as informações no início do ano diferem daquilo que vem sendo dito por muitas pessoas nesse momento. “Essa é a grande questão que as pessoas têm que entender: as informações que tínhamos na época. Nós tínhamos informações que não correspondem a estes boatos divulgados pelo Facebook. Uma coisa é o disque-disque, que não tem valor algum para o Poder Judiciário se não for consubstanciado em um relato concreto de uma pessoa dizendo isso e aquilo, dando sua palavra para que possa ser avaliada a veracidade.”

A delegada Caroline seguiu na mesma linha de interpretação. “Nós não temos como saber o que essas pessoas que estão falando agora, sabiam antes. Como iríamos ter conhecimento do que estas pessoas estão relatando sabiam antes de acontecer esse fato, se elas não vieram nos procurar. Nós não temos bola de cristal para saber. Se essas pessoas sabiam antes, por que não vieram falar?”, desabafou.

Para o magistrado, as informações de antes são diferentes das informações que se tem hoje. “Na época, tentamos tomar a decisão baseado nas melhores informações que tínhamos e das disposições legais. Com os relatos que tivemos na época. O desaparecimento do menino era praticamente imprevisível. Não adianta as pessoas falarem hoje que dava para prever. Não é assim.”, destacou o juiz Fernando.

A informação de que pedidos de guarda do menino foram solicitadas, foi refutada de forma enfática pelo juiz. “Não recebemos nenhum pedido, de qualquer família, formal ou informalmente, que tenha sido feito para a promotoria de justiça, para o juizado da infância e da juventude ou para qualquer órgão, de guarda da criança Bernardo. Diferentemente de alguns boatos que estão correndo ao longo da semana”, disse.

Sobre suposições, que tentariam até mesmo colocar sob suspeição o julgador, novamente Fernando demonstrou sua indignação. “Eu não tenho relação alguma de amizade com qualquer pessoa envolvida neste processo. Não é admissível que as pessoas lancem este tipo de ilação. Uma pessoa que não sabe nada do processo, que não sabe nada sobre a minha pessoa, que não mora em Três Passos, que não tem o menor conhecimento de nada, vir à rede social e falar qualquer bobagem que seja, isso é inadmissível e intolerável.”

Fernando deixou claro que o foco das investigações é total na tentativa de desvendar o desaparecimento, mas que a inconsequência de alguns relatos em redes sociais serão avaliadas. “Essas pessoas que estão lançando informações difamatórias, com o intuito de atacar qualquer autoridade aqui de Três Passos, vão ser responsabilizadas com o rigor que a lei prevê”, destacou.

 

Delegada confirma que as investigações seguem em ritmo intenso

 

“Trabalhamos com várias linhas de investigação. Algumas delas, com o passar do tempo, estão enfraquecendo. Como não temos nada de concreto ainda, estamos trabalhando com todas as linhas. A possibilidade de seqüestro está enfraquecendo a cada dia, pois não é comum o seqüestrador ficar tanto tempo sem entrar em contato com a família pedindo resgate. O fato dele ter desaparecido por conta própria também está enfraquecendo. Ele é uma criança que não conseguiria ficar sete dias longe, sem ser visto”.

A delegada também comentou sobre os indícios e informações repassadas pela comunidade. “A prova testemunhal é totalmente relativa. Nós temos que ter cuidado. Muitas pessoas que acharam que viram ele, vieram ratificar à polícia que não tinham tanta certeza disso. Estamos trabalhando com uma equipe de 15 pessoas, com três delegados cuidando diretamente do caso, mais 12 agentes. Estamos fazendo de tudo para desvendar este caso. Temos apoio irrestrito do Poder Judiciário, do Ministério Público, apoio irrestrito da Brigada Militar, apoio do Conselho Tutelar e da própria sociedade.”

Segundo a delegada, todas as denúncias ou indícios estão sendo analisadas, dentro da sua razoabilidade.

 

Boato sobre corpo encontrado no Salto do Yucumã não é verdadeiro

 

Sobre o boato de que haveria sido encontrado o corpo do menino no Parque Estadual do Turvo, em Derrubadas, próximo ao Salto do Yucumã, na sexta-feira, a delegada destacou que a informação não procede. “Nenhum corpo foi encontrado naquele local”, confirmou.

A polícia confirma que as buscas e diligência continuam de forma intensa e ininterrupta, contando sempre com o apoio da comunidade, que também está mobilizada nas buscas por indícios ou informações.

Qualquer denúncia pode ser repassada para a Polícia Civil, através do fone 197 ou Brigada Militar, pelo fone 190. O informante não precisa se identificar. Fonte: Rádio Alto Uruguai

 

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Comentários

  • Alirio Pinto - Resende (Rio de Janeiro)
    Enviado Dom, 27 de abril de 2014

    É muito triste saber que uma criança que procurou a justiça com suas próprias pernas para pedir socorro.

     

    E relatar sua história ao conselho tutelar, ao ministério publico e a um juiz da vara da infância e juventude.

     

    Conquanto, isso tenha tido um final tão trágico como esse.

     

    E depois ouvirmos de uma delegada que não tem bola de cristal e um juiz dizer que não tinha informações suficientes!

     

    Sinceramente é lamentável.

  • Janice Aquino - Porto Alegre (Rio Grande do Sul)
    Enviado Qua, 16 de abril de 2014

    Infelizmente, tenho que concordar com o Sr Carter em alguns pontos de seu texto.

     

    E ainda lembrar que podemos ter muitos Bernardos e que a partir deste episódio lamentável exista realmente uma resposta jurídica à altura para que fatos semelhantes não voltem a ocorrer sem impunidade inclusive dentro do próprio poder em questão e moralidade do público.

     

    E desculpe mas é difícil crer, para quem tem uma vivência interiorana, sabe do que falamos, acreditar que em uma cidade de 24.000 habitantes, as pessoas não se conheçam.

     

    Prova é o levante da população em busca do Bernardo após seu desaparecimento.

     

    Estamos de luto.

     

    Luto pelo menino Bernardo.

     

    Luto pela morosidade mediante um pedido veemente de ajuda.

     

    Luto pela sociedade onde a individualidade e o poder ainda silenciam muitas injustiças.

     

    Luto pois o crime não tem face.

  • Carter Santos - Belo Horizonte (Minas Gerais)
    Enviado Ter, 15 de abril de 2014

    Na minha opinião não houve nenhuma preocupação com a segurança do garoto e infelizmente a Delegada e o Juiz não fizeram seu trabalho de forma adequada.

     

    Não tinha informações suficientes?

     

    Então porque não abriu uma investigação e deixou o garoto com uma guarda provisória com a Avó?

     

    Fico muito triste e deixo um recado para os dois.

     

    Mudem de profissão porque vocês estão no ramo errado.

     

    São incompetentes e essa morte vai marcar vocês dois pela eternidade e espero que sempre que chegarem em casa e olharem para seus filhos possam se lembrar do garoto Bernardo Uglione Boldrini que deixaram morrer, pedindo sua ajuda.

     

    Que Deus conforte sua consciência e seu coração e que vocês sintam essa perda e renunciem seus cargos, seus INCOMPETENTES !!!!!

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